domingo, 31 de outubro de 2010

Azevedo Silva - Carrossel (álbum)


Azevedo Silva lança finalmente o seu terceiro disco. Digo finalmente porque os fãs precisavam dele, e a música portuguesa no geral também. A influência directa de Zeca Afonso é inegável ao longo da sua curta, mas magnifica carreira. Contudo, este novo álbum "Carrossel" é uma clara evolução da sua influência, adaptado aos tempos actuais. Azevedo Silva é o "artista do povo", que canta os problemas de quem vive nas zonas urbanas, sempre tão fustigadas pela politica.
Acompanhado por inúmeros músicos de destaque do panorama musical actual, Azevedo completa o seu som, acrescentando novos instrumentos e sonoridades, explorando novos caminhos, mas deixando sempre a sua marca, seja nas letras sempre tocantes e reflexivas, como na sua voz melancólica, tocante, como um guia do nosso caminho. E esta é a principal arma de Azevedo, a sua voz, que nos apaixona a alma, nos toca profundamente. Seja uma voz triste ou não, é uma voz que nos ensina e nos faz sentir emoções. A música portuguesa está a ganhar um novo artista, um artista cada vez mais complexo e maduro.
Quanto ao novo disco, as palavras são poucas para caracterizar uma viagem fantástica pelas emoções humanas.
"Dona Solidão", primeira música deste novíssimo "Carrossel", é o reflexo do mundo actual. Este é um retrato fiel da realidade, sempre representada através da voz melancólica de Azevedo e de um instrumental sempre certo e adequado à sua voz. Música belíssima, sem qualquer dúvida.
"Carrossel" é um registo mais acelerado da nossa realidade, funcionando através de metáforas e de mudanças de tons. É daquelas músicas que vai ficar nos nossos ouvidos durante muito tempo. Esta é uma daquelas músicas em que a evolução de Azevedo é mais notória.
"Bússola" é uma música pesada, que nos faz sentir o peso da sociedade actual.
"Desassossego" é para mim a música mais bela do álbum e uma das mais belas de 2010. A voz de Azevedo sente-se como uma brisa que entra por dentro de nós e nos faz querer reflectir em tudo. Reflectir na nossa vida, na vida dos nossos. E é neste momento que sentimos que estamos perante um dos registos do ano, algo que quererá ficar na nossa memória, sempre e sempre.
"A Mãe" é a música mais calma do álbum, mas também uma das mais bonitas (do ponto de vista de letra).
"A Democracia será vingada no rossio" é o regresso de Azevedo Silva a temas políticos, de forma directa. A sua consciência politica sempre foi critica, como deveria ser a de todos. Misturando sons estranhos e outros mais dispersos, esta é a música mais estranha do álbum. Por estranha não podemos interpreta-la como negativa, muito pelo contrário, é uma excelente música, que nos faz sentir a opinião do artista, responsável por todas as letras do álbum.
"Manel Cruz e a Canção da Canção Triste" é uma resposta ao artista referido na música. É também uma música incrível, que ao terminar nos deixa com a sensação urgente de querer mais. Para tal podemos tentar acompanhar o artista e os seus acompanhantes pelo país fora.
Portugal está a sofrer uma enorme mudança musical, de novos artistas que cantam em português. Azevedo Silva é o exemplo mais claro do músico do povo, preocupado com tudo o que nos rodeia.
O novo álbum de Azevedo Silva é um apelo profundo aos princípios básicos do ser humano. Um apelo à consciência politica e social, aos problemas internos de cada um e às relações familiares. Seja na forma de metáforas ou de forma directa, Azevedo transmite-nos profundamente as suas emoções, sem complexos, sem fantasias, sendo honesto. E nós sentimos cada plavra como se tocasse na nossa alma.
Este "Carrossel" é um álbum obrigatório para qualquer português! Depois de o ouvirmos temos um pouco mais de orgulho em sermos portugueses.

Para uma audição na integra e a possibilidade de adquirirem digitalmente o álbum:

Myspace do artista:

sábado, 30 de outubro de 2010

Linda Martini @ Lux Frágil (Fotos)












Linda Martini no Lux - Lançamento do álbum "Casa Ocupada"

O Lux encheu pelas costuras para receber aquela que é actualmente uma das bandas nacionais de topo. A nível de música cantada em português temos talvez aqui o maior sucesso dos últimos anos, acompanhado com uma evolução primorosa e de imensa qualidade. Falo claro está, dos Linda Martini.
Antes do concerto propriamente dito, as filas de entrada davam uma volta gigantesca, apresentando-nos um mar de gente ansiosa pelo regresso de uma das bandas mais acarinhadas pelo público português. Prova desse amor, foi a lotação mais que esgotada e inventada, a imensa salva de palmas presente em todas as músicas e os hinos musicais, tão decorados quanto um fanático religioso em amor pelo seu livro sagrado. Os Linda Martini são isso mesmo, um movimento amoroso reciproco entre fãs que teimam em aumentar, e uma banda pronta para os receber, através da simpatia e interacção daquele que é possivelmente na actualidade o melhor baterista português, Hélio Morais; e os também extremamente talentosos e simpáticos André Henriques (vocalista e guitarrista), Pedro Geraldes (guitarrista) e Cláudia Guerreiro (baixista). Juntos formam uma unidade musical sem igual, que ao vivo se transforma numa guerra espiritual, criando algo paralelo à nossa realidade. Sem me querer perder muito em metáforas ou analogias, o concerto de Linda Martini no Lux foi, resumidamente, uma entrada num outro universo, no universo da banda, que nos conseguiu transpor para algo perfeito a nível musical e emocional.
Para começar não podiam ter escolhido melhor, "Nós os outros", faixa integrante do álbum de apresentação deste concerto, "Casa Ocupada", encheu o espaço e aqueceu o público, com um Hélio furioso na bateria, cegamente electrizante, e os restantes membros a acompanharem-no em imensa sintonia. "Mulher-a-dias" é o 2º single deste álbum e foi também a segunda música tocada. Tanto foi o empenho da banda que quase que os víamos a correr tal como no videoclip. Energia do melhor ao vivo, fazendo-nos querer ficar nesta música por muito mais tempo do que o que ela dura! "Amigos mortais" foi a confirmação da excelência do novo álbum, e mais importante, que apesar do "rock mais directo", os Linda Martini continuam no caminho da qualidade, da enorme qualidade. A transição para músicas um pouco mais curtas e directas foi perfeita, e a sonoridade-mãe está cá toda presente. Para os fãs da banda as novas músicas sabem a uma continuação perfeita do que é uma evolução natural das coisas. Para os novos fãs, é uma oportunidade de conhecer o lado mais directo dos Linda Martini, podendo depois desenvolver-se uma imensa paixão.
Parar para olhar com calma a banda é uma acção que vale mesmo a pena. Hélio Morais "esmurraça a bateria" como se fosse o seu pior inimigo, numa energia vinda de outro lado do universo. Cláudia Guerreiro entra em êxtase em cada música e afigura-se como um elemento fulcral, de extrema ligação entre todos os membros da banda. Pedro Geraldes, elevando a sua guitarra no ar, alterna entre um ar mais calmo e a loucura do rock, e finalmente André Henriques canta-nos com alma, a sua, a da banda, de todos nós, cumprindo com distinção a sua tarefa na guitarra, e sorrindo ocasionalmente, como se estivesse a tocar no céu.
"Partir para ficar" foi a primeira "prenda" oferecida pela banda. E que bem que foi recebida! Hélio e Cláudia ( porta vozes da banda neste concerto) interagiam com o público entre cada tema, fazendo agradecimentos e atendendo ao bom humor. "Partir para ficar" foi uma prenda perfeita e o público respondeu com energia, quase tanta quanto a que a banda deixava em palco.
À quinta música chegamos à maior "surpresa" das novas músicas. "Elevador" é um conjunto de sentimentos electrizantes, dando ao público a sensação de que os Linda Martini cresceram imenso e conseguiram fazer o que é muito raro numa banda deste tipo, dar um salto perfeito entre os seus sons próprios (música underground), para algo mais "directo", algo que agrade a quem não conhece a banda. A transição foi perfeita e este "Elevador" expressa tudo num curto espaço de tempo. Entretanto, a banda dá tudo o que tem e mostra-nos porque é considerada uma das melhores da actualidade. Ninguém deixa tanto em palco quanto eles, ninguém canta com tanta alma, com tanto sentido, com tanta genuinidade.
"Amor combate" é um regresso às origens e à ligação com os fãs de sempre. Eles agradecem e retribuem, com muitas palmas, com coros, com saltos e empurrões. O público começa a ficar mais eléctrico.
"S de Jéssica" é um registo um pouco mais calmo, mas que tem todas as características da banda. O seu som é bastante reconhecível, e apesar do novo álbum ter faixas mais curtas do que é costume para a banda, está lá tudo.
"Juventude Sónica", em claro tributo aos "Sonic Youth", é o regresso ao bom rock, à criação de novos sons, de novas energias. A ligação com o público prende-se cada vez mais e é já notória a evolução da banda. "Ameaça menor" faz a ponte para aquela que é uma das melhores músicas da banda, "Cronófago". A loucura instala-se e o público aumenta a sua garra, interligando-se com o palco, com os músicos. "Este mar" origina um novo sentido de ligação, novo amor entre a banda e o público. "Queluz menos luz" é uma referência óbvia as origens da banda e é recebida com aplausos. A grandiosidade desta música leva-nos a que "Belarmino" alcance o apogeu. Estamos perante uma banda única, que aposta num som forte e cheio de energia, através do que cada elemento tem para dar, formando um todo coeso e tão talentoso. As novas músicas surgem como lufadas de ar fresco, como uma necessidade de continuidade por parte da banda e uma necessidade de continuidade pelos fãs. Sempre ao seu jeito, os quatro elementos vão cruzando emoções entre si, mostrando porque mandam em palco.
"Cem metros sereia" termina com um palco inundado de amigos da banda, a cantarem ao microfone. A emoção da letra, cruzada com as pessoas em palco torna o momento algo único e demasiado tocante. Os Linda Martini são isso mesmo, um ponto de união entre as pessoas e a criação de letras simples mas com um significado bastante profundo. Com as novas músicas assistimos a uma evolução que supera em tudo as expectativas. Com este álbum os Linda Martini vão certamente atingir um topo maior, se é que já não o conquistaram.
O encore foi representado por dois grandes êxitos da banda, duas músicas que fizeram a banda crescer e com que os fãs também cresceram nestes últimos anos. Seja a repetir as letras pela rua, em casa, no comboio, ou a ouvi-las no carro ou no ipod. Os Linda Martini deixaram a sua marca e "Dá-me a tua melhor faca" e "O amor é não haver polícia" demonstram o que tem sido criado ao longo destes últimos anos.
"Casa Ocupada" passa assim com enorme distinção ao vivo, sendo um álbum efectivamente de rock directo, mas cheio da alma da banda, tanto nas letras como na sonoridade. Este é um álbum poderoso e capaz de ombrear com os melhores álbuns da década.
A banda deu assim um espectáculo imenso, que não será esquecido por quem os viu. E a nível musical, Portugal pode sorrir novamente.

Linda Martini @ Lux (29-10-2010)


Setlist:
1. Nós os outros
2. Mulher-a-dias
3. Amigos mortais
4. Partir para ficar
5. Elevador
6. Amor Combate
7. S de Jéssica
8. Juventude Sónica
9. Ameaça menor
10. Cronófago
11. Este mar
12. Queluz menos luz
13. Belarmino vs
14. Cem metros sereia

Encore
15. Dá-me a tua melhor faca
16. O amor é não haver policia


Texto: João Miguel Fernandes
Fotos: Hugo Rodrigues

Alive II - Concerto na FCUL

Foi ontem, ali atrás da Torre do Tombo. O evento era o RockU. E esta é a segunda vez que falamos dos Alive.
Na primeira, há quase seis meses (lembram-se?), dissemos que estes quatro rapazes "Ao vivo trazem consigo uma energia frenética de quem em palco está no seu elemento natural, fazendo-se acompanhar de grandes temas que familiarizam o público aos quais juntam as suas originais que transportam consigo aquele feeling de que não estranharíamos ouvi-las numa qualquer rádio.". Pois bem, constatou-se ontem que, como se costuma dizer, em equipa que ganha não se mexe. Trocado por miúdos, a fórmula mantém-se. Não se pense, porém, que não houve uma evolução.
Abriram com "Woman", dos Wolfmother, seguindo-se cerca de uma dezena de canções, entre originais e covers, com tendência para o hard-rock mas não se furtanto a incursões mais alternativas: "Punk Moda Funk", dos Ornatos Violeta foi um sucesso. É de referir que neste concerto apresentaram pelo menos cinco originais, o que reflecte bem uma confiança cada vez maior de todos os membros. Se Pedro, o vocalista, se atirou sem medo aos agudos, já a secção rítmica, composta por António Rolo no baixo e Hugo na bateria, esteve impecável. A espaços mostraram aquilo de que são capazes, mas sem nunca ofuscarem os companheiros. Isto sem esquecer o guitarrista Kiko, que fez questão de mostrar todas as potencialidades da sua Gibson SG, e só foi interrompido pelos vários problemas técnicos que se verificaram. De resto, e como nem tudo é rosas, há que notar que a banda deixou, por vezes, que o concerto ficasse "morno". No geral, porém, os Alive portaram-se bem e estiveram ao nível do público que os apoiou (literalmente: ao melhor estilo "guerrilla gig", não havia palco).

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Dead Combo no Cinema S. Jorge

O Cinema S. Jorge, em Lisboa, recebeu ontem os Dead Combo acompanhados pela Royal Orquestra das Caveiras para uma noite de atmosferas densas, sombrias e ao mesmo tempo festivas. É assim a música dos Dead Combo quando têm em sua companhia a pianista Ana Araújo, o baterista Alexandre Frazão, o saxofonista João Cabrita, João Marques no trompete e Jorge Ribeiro no trombone.

Com uma sala completamente esgotada, foram várias as vezes que, quer Tó Trips quer Pedro Gonçalves, a dupla responsável pela banda, manifestou o seu espanto por estarem a tocar para tantas pessoas.

O palco, devidamente decorado para o efeito, com flores vermelhas em vários ramalhetes dispersos pelo palco, diversas malas e outros componentes cénicos espelhavam o pano negro pendurado ao alto nas costas dos artistas com o nome da banda, do lado direito a bateria e do lado esquerdo o piano colocados de frente para o centro do palco, onde estariam Tó Trips e Pedro Gonçalves, e por trás destes, num plano um pouco mais elevado, estaria o espaço que seria ocupado pelos instrumentos de sopro.

Quando as luzes baixam e começa a tocar o tema de introdução ao concerto, espera-se a entrada dos Dead Combo em palco, o que viria a acontecer após alguns segundos de 'suspense' planeado, a dupla Tó Trips e Pedro Gonçalves ocupou então o centro do palco, e começam um concerto que percorreu toda a discografia da banda, com direito ainda a alguns temas novos, como por exemplo, Nat, e não net de internet, explicou Pedro Gonçalves.

A Royal Orquestra das Caveiras acaba apenas por entrar ao fim de 6 temas, em Cuba 1970, e não mais a dupla central iria ficar sozinha em palco, comunicativos q.b. os Dead Combo explicaram alguns dos temas tocados, de onde destaco o Lusitânia Playboys, que é dedicado a todos os que vão ao Cais do Sodré à noite, O Assobio, canção que Tó Trips pensava ser sobre o assobio de seu avô, mas que afinal é sobre o assobio de Vasco Santana e ainda a música Cacto, que nos é indicada como possivelmente a primeira música a ser feita pelos Dead Combo.

Para o encore ficou reservado um vôo de Lisboa para Berlin, uma visita ao deserto e uma última paragem em Malibu, com o guia Tó Trips a apontar-nos a falta de uma feira popular.

E embora não houvesse uma feira popular (e é um facto que se deixou morrer a única que havia) em Lisboa, entretenimento não faltou na noite de ontem, a música dos Dead Combo é quase como uma banda sonora para um filme, um filme que é construido mentalmente por cada um de nós à medida que ouve e interpreta as melodias que nos são apresentadas.

E é por isso que, ao terminar o concerto, e pensando na viagem sonora por que se passou, não consigo deixar de pensar que se a minha vida fosse um filme, um dos temas teria que ser composto por estes senhores, e acho que isso diz muito.

Dead Combo & Royal Orquestra das Caveiras @ Cinema São Jorge (26-10-2010)


Setlist:
1. Janela
2. Putos a Roubar Maçãs
3. Esse Olhar Que Era Só Teu
4. Sopa De Cavalo Cansado
5. A Menina Dança?
6. Cuba 1970
7. Manobras de Maio
8. Desert Diamonds
9. Mr Eastwood
10. Temptation
11. O Assobio
12. Eléctrica Cadente
13. Nat
14. Lusitânia Playboys
15. Canção do Trabalho
16. Old Rock'n'Roll Radio
17. Rodada

Encore:
18. Lisbon/Berlin
19. Cacto
20. Malibu Fair

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terça-feira, 26 de outubro de 2010

Nuno Prata na Fnac do Chiado

Nuno Prata, projecto a solo do ex-baixista da banda portuguesa Ornatos Violeta, lançou ontem o seu segundo álbum de originais. Deve Haver foi ocasião para um showcase de apresentação do disco perante um auditório da Fnac do Chiado completamente cheio.

Acompanhado ao vivo por Nico Tricot e António Serginho, foi possível escutar alguns dos temas que compõem este Deve Haver, incluindo o single que já roda pela rádio, Essa Dor Não Existe.

Nuno Prata @ Fnac Chiado (25-10-2010)


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segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Jameson Urban Routes - Dia 3

Ao terceiro dia do festival Jameson Urban Routes, a acontecer no MusicBox, a festa chegou em grande estilo, e pela noite a dentro, foi uma casa esgotada que recebeu Noiserv, Toro Y Moi e El Guincho.

Depois da passagem pelo festival Milhões de Festa no Verão deste ano, foi a primeira vez que estes dois últimos projectos actuaram em Lisboa, e a julgar pela reacção, provavelmente não tardará a acontecer de novo.

David Santos teve a tarefa algo ingrata de iniciar a noite de concertos, uma vez que em alguns pontos do concerto o público parecia mais interessado em conviver do que realmente escutar a música, mas nada que esmorecesse quer quem estava em cima do palco, quer aqueles que estavam fora dele e que estavam no MusicBox também para poderem ouvir algumas das música do novo EP de Noiserv (A day in the day of the days), e alguns dos temas do álbum anterior (One Hundred Miles from Thoughtlessness).

Noiserv @ MusicBox (23-10-2010)


Toro Y Moi, projecto de Chazwick Bundick, que se fez acompanhar por um baterista e um baixista, foram os senhores que se seguiram em palco, e aqueceram, ainda muito que timidamente a 'pista de dança' que iria pegar fogo durante El Guincho.

Toro Y Moi @ MusicBox (23-10-2010)



Foi então durante a actuação de El Guincho que a loucura se instalou, e todo o MusicBox foi uma entidade dançante, com rasgos de crowdsurfing, algum mosh e o comboio de pessoas que parecia ter tido inicio em Barcelos, no Festival Milhões de Festa, e como que se por magia não tivesse havido um intervalo de alguns meses, apenas terminaria ali, em Lisboa, no MusicBox.

El Guincho @ MusicBox (23-10-2010)


De referir ainda que o concerto terminou em apoteose. Pablo Díaz-Reixa indica-nos que a última se chama Milhões de Festa, e uma música outrora tratada por Antillas, é agora o hino que ficará para sempre na memória de algumas pessoas e que começou a ecoar por um MusicBox completamente cheio e à espera daquele momento.

domingo, 24 de outubro de 2010

Akira - Uma visão do futuro


Grande parte dos "animes" vive de metáforas ou criticas sociais implícitas. Akira, de Katsuhiro Otomo não é excepção.
Considerada por muitos como a melhor manga alguma vez feita, Akira é uma obra baseada em mil e uma ideias pós-apocalípticas, transpostas para uma realidade futurista próxima e iminente. Apesar de ser um aglomerado de ideias, consegue ser original na forma como relaciona os seus personagens e os desenvolve, de forma pouco pragmática e demasiado humana( ideia de que o ser humano é um ser mau por instinto).
Do ponto de vista cinematográfico poderíamos analisar este filme de diversos pontos de vista, tanto como uma obra que consegue criar um enorme enredo de entretenimento, enquanto nos transmite mensagens explicitas sobre um possível fim da sociedade actual dos países desenvolvidos ( caso do Japão). Poderíamos também elogiar a excelente banda sonora, que nos remete para ambientes opressivos e espirituais, ou a forma como o realizador capta a essência de cada plano, tendo especial atenção aos cortes lentos e demorados, para nos dar a sensação de realidade, e aproximar-nos mais do que poderá ser o nosso fim.
Contudo, não vou aprofundar o estudo cinematográfico desta obra prima, mas sim o seu estudo social.
Akira não é uma metáfora, é um filme com uma mensagem directa e conclusiva: A juventude está cada vez mais alienada da sociedade enquanto todo e enquanto máquina produtora de riqueza e de serviços. Através dessa alienação criam entre si pequenos grupos (gangs) onde se regem por regras criadas pelos mesmos. Dentro de uma sociedade global temos então estes grupos jovens que desafiam o todo, para viverem à margem da lei e sem que as forças superiores possam intervir nas suas vidas; Temos também uma crítica aos políticos e à sua forma de governação, demonstrando-nos que o ser humano é corrupto e facilmente eludido por questões financeiras ou de interesse muito próprio e pessoal, não atendendo aos problemas gerais da sociedade. Tendo em conta que os políticos regem a sociedade( supostamente), em Akira assistimos à corrupção no expoente máximo, e a políticos também alienados dos problemas sociais. Chegamos assim a um resultado: ineficiência do estado; O facto do sistema político de Akira ser um sistema militarizado não é apenas para criar soldados e cenas de acção para o filme, mas sim para dar a entender a forma de poder mais directa que o governo poderá ter, os soldados. Desta forma, através da violência directa, podemos calar as bocas que nos ofendem e destruir inimigos da nossa sociedade, sem atendermos à possibilidade de paz ou de equilíbrio social. O governo actua como um militar num campo de guerra, disparando primeiro e perguntando depois;
A ideia de uma Neo-Tokyo pretende alertar-nos para o problema das cidades massificadas e da sua evolução social. Com a globalização deixamos de ter uma identidade própria em cada cidade, e se surgirem conflitos sociais, o caos vai surgir em todos os pontos, porque não existe um padrão. Neo-Tokyo surge assim como uma cidade do futuro, do mundo e não do Japão, onde o governo actua de forma corrupta, ignorando os apelos dos habitantes e calando as manifestações através dos militares.
Akira é um dos filmes mais emblemáticos dos últimos anos, não por ser talvez o anime mais importante de sempre, mas sim porque nos apresenta um cenário "real" de um futuro bem próximo. Além do mais, durante todo o filme debate todos esses problemas sociais, de forma indirecta ( mas não metafórica), deixando-nos a apreciar todo o artwork, a fabulosa banda sonora e as cenas de acção e ficção patentes no género.
Uma obra prima intemporal, capaz de ultrapassar os seus antecessores pela simples razão de não inventar e ser capaz de nos mostrar os problemas e a solução para os mesmos.

sábado, 23 de outubro de 2010

Porn Sheep Hospital - Abacus


Os Porn Sheep Hospital são um quarteto de mathcore de Setúbal. Cidade essa responsável por bandas como More Than A Thousand, The Doups, Ella Palmer, entre outras.
Se em Portugal já é estranho existir uma banda de mathcore, que dizer em Setúbal? Sem dúvida que é um som "estranho" para quem não acompanha bandas internacionais do género, mas também é um estilo dotado de imensa qualidade e que requer muito trabalho de composição por parte dos seus criadores. Do ponto de vista de composição, os Porn Sheep ganham imensos pontos. Compor mathcore não é como compor rock ou metal ( não querendo tirar crédito aos mesmos). Não é igual porque implica certas regras, que senão forem seguidas deixam a música fugir completamente do estilo mathcore. Para começar, o matchore define-se por um estilo experimental e que segue matrizes matemáticas, na forma como as guitarras se interligam com o resto dos instrumentos e a bateria marca o ritmo. Normalmente é um estilo caracterizado por estruturas complexas, que exige aos músicos uma grande capacidade de organização e de conhecimento musical. Só por isto os Porn Sheep já merecem reconhecimento, mas não é só por praticarem este estilo pouco conhecido que devem sobressair. É por serem capazes de o fazer com imensa qualidade.
Após uma demo no início deste ano, os Porn Sheep Hospital regressam aos registos com o primeiro EP. Resultado de um imenso esforço e já alguns anos de trabalho da banda. A provar toda a sua qualidade está o single do ep, "Abacus". Vocalmente forte, com influências claras do screamo e metalcore, esta nova música representa uma inovação dos sons produzidos em Setúbal, e até mesmo em Portugal.
Instrumentalmente a música é cheia de influências, e apesar do género ser mathcore, qualquer fã de metalcore ou screamo vai ficar completamente "apanhado" por esta música. Posso destacar a bateria incrivelmente certa a nível de tempos, mas seria muito injusto não referir a forma perfeita como as guitarras se cruzam entre si para fazerem soar tudo isto como algo matemático. Porém, o baixo é um dos instrumentos mais importantes, conduzindo a bateria no seu dificil percurso. A voz está como já referi bastante forte, poderosa, com "berros" a roçar o metalcore e o screamo, mas com uma enorme pujança. Todo o instrumental é tipicamente mathcore, o que produz em nós alguma estranheza se não estivermos habituados minimamente ao estilo. Quem for fã não vai ficar desiludido, esta Abacus é uma música poderosa, com força suficiente para se elevar pela música nacional. Contudo, os Porn Sheep Hospital precisam de uma rampa de lançamento, precisam de Lisboa, e Lisboa precisa deles.


Para ouvirem a Abacus:

Common Fluid na Fnac do Chiado

Os Common Fluid começaram ontem na Fnac do Chiado uma mini tour pelos auditórios das fnacs do país, contando por enquanto apenas com datas conhecidas em Lisboa, esta banda apresentou-se ontem no registo normal, onde o rock é rei, e apresentou algumas músicas do seu álbum Tremor, nos outros auditórios no entanto, os showcases terão um contorno mais calmo, num semi-acústico que promete mostrar uma faceta diferente daquilo que os Common Fluid podem fazer, a não perder portanto.

Datas:
29 de Outubro - Fnac Almada Forum (22h)
30 de Outubro - Fnac Cascais Shopping (16h)
30 de Outubro - Fnac Alegro (21h30)

Common Fluid @ Fnac Chiado (22-10-2010)


Setlist:
1. Whale Song
2. Numskull
3. Mid-Air Collision
4. Placenta
5. Nicotine
6. Oxygen


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sexta-feira, 22 de outubro de 2010

The Last Exorcism (2010), de Daniel Stamm


Onze anos depois de Blairwitch Project, chega-nos agora um outro filme de terror filmado em formato documentário. Com as devidas e óbvias diferenças, este The Last Exorcism faz-nos relembrar um dos mais marcantes filmes de terror de sempre, uma vez que, devido ao facto de ser inteiramente filmado do ponto de vista da câmara de um assustado cameramen, integra-nos no filme sem que se dê conta.

The Last Exorcism conta a história de Cotton Marcus, um reverendo norte-americano que fazia falsos exorcismos a quem achava estar possuído por algum tipo de entidade demoníaca. Cotton Marcus burla deliberadamente os crentes em Deus e em todo o processo do exorcismo. Até ao dia em que conhece Nell Sweetzer e a família. Através de um argumento meio atabalhoado percebemos que o problema de Nell não é Abalam, o demónio pela qual diz estar possuída, mas sim o facto de ter vivido com o pai e o irmão em regime de quase clausura numa pequena cidade do interior americano, o fanatismo religioso que se vive por lá e, juntando a isto, ainda o facto de estar grávida. Concluindo, toda a povoação pertencia a um estranho culto religioso que acabou por fazer o aborto à jovem Nell e assassinar brutalmente a equipa de filmagens e o reverendo Cotton Marcus.

Quando se pensa que o filme pode evoluir para uma crítica inteligente à vulgaridade e arcaísmo da Igreja Cristã, Nell mostra-nos a sua mente pouco sã. Apesar de ser um bom filme de terror, com cenas de fazer subir a adernalina, de fazer dar saltos na cadeira do cinema e de estar bem realizado, com uma boa fotografia e do (ainda) original formato de documentário, The Last Exorcism parece ter problemas nas sequências narrativas.

Parece que todas as histórias sobre exorcismos já foram contadas, esta, a de Nell, é só mais uma, com um desfecho diferente; incapaz de gerar consenso.

Murdering Tripping Blues na Fnac do Chiado

A promover o mais recente Share The Fire os Murdering Tripping Blues, trio de blues de contornos rockabillies, actuaram ontem na Fnac Chiado numa versão ligeiramente mais suavizada. Felizmente nada que tenha obstado à entrega e qualidade da banda e que a tenha impedido de soar tão crua e visceral como mais nenhuma outra banda blues em Portugal.

Com dois anos a separá-lo do álbum, Blues Knocking At The Backdoor Music, foi sobre Share The Fire que incidiu a grande parte do showcase, com as canções a soar tão bem ao vivo como em álbum, talvez melhor, com especial destaque para Broken Lovers , e ainda tempo para se ouvir "Modern Times, So Simple", do álbum anterior , que não importa os anos que passem há-de ser sempre moderna.

Murdering Tripping Blues @ Fnac Chiado (21-10-2010)



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Texto: Jorge Almeida
Fotos: Hugo Rodrigues

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Pintarolas


Pintarolas é um culto, isso já o sabe qualquer um nascido algures nas décadas de 80 e 90, mas Pintarolas é também ao início ao novo século a nova face do punk, longe do activismo politico e inconformismo da primeira vaga punk este é manifestamente mais mundano de contornos humorísticos e claramente virado para a boa disposição e festa. Mas calma, não há aqui nada de leviano e fácil, sabe quem já tentou que fazer rir é assunto sério e os Pintarolas parecem seriamente empenhados em nos fazer rir. Balanço? Hilariantemente positivo, “ vou violar a minha ovelha, fazer-lhe uns belos minetes e apertar-lhes os carretes” era verso que já fazia falta à música portuguesa, mas as pérolas não se ficam por aqui por isso há que ouvir.

Mas se o punk muda no tema, muda também na sonoridade. O pop-punk, esse bicho feio que se esconde debaixo da cama dos meninos grandes para quem o punk só vai dos Ramones aos Censurados, veio para ficar e não há que lhe virar as costas até porque abre portas a outros géneros que normalmente morriam de fome se vivessem de três acordes. No mais recente “ Vai João” há também uma imensa procura de sons por todo o espectro da pop-rock folclórica e … pimba?! Parece que sim, se o termo punk rural já parecia ganhar forma na cabeça de quem ouve “Vai João” a música “Conhé Esquisita” acaba por cimentar essa ideia, se é algo bom ou mau vai depender da disposição do ouvinte, o mais certo é que se já foram a uma recepção ao caloiro e vibraram com o Quim Barreiros tudo isto fará sentido.

Voltando ao início, Pintarolas é um culto, é boa disposição, é música desprendida de pretensiosismos e o pior pesadelo do amigo pseudo-intelectual que todos temos.
A conhecer.

"Vai João" tem 12 faixas e está disponível para download gratuito em http://www.pintarolas.org/
No site pode-se ainda ver o videoclip do 1º single - Hit de Verão que conta já com mais de 4 mil plays.



OFFBEATZ Lisboa #009


O OFFBEATZ Lisboa regressou na noite de ontem, e nesta primeira edição pós-férias o lugar escolhido para acolher o evento foi o MusicBox. Numa edição que contava com a apresentação dos videoclips de dois dos mais promissores projectos nacionais, os Linda Martini e Noiserv, para além da actuação das bandas Os Pinto Ferreira e Macacos do Chinês, não foi de estranhar que o MusicBox estivesse muito bem composto de pessoas, quem sabe aliciadas também pela entrada livre proporcionada pela organização do OFFBEATZ.

A abrir a noite, e antes dos concertos propriamente ditos, houve então a exibição de Mr. Carousel e de Mulher-a-Dias, os vídeos que acompanham os temas de Noiserv e Linda Martini, respectivamente, e uma sessão de perguntas de respostas sobre os mesmos aos artistas.

Em relação a Mr. Carousel, David Santos explica-nos que foi uma opção lógica optar por fazer o videoclip em animação, uma vez que vai ao encontro daquilo que é um pouco o seu projecto, incorporado com os desenhos de Diana Mascarenhas, seja no artwork dos cds ou nas projecções durante os concertos. Indica-nos também que para uma animação deste tipo e com a duração da música (cerca de 3 minutos), em conjunto com o realizador, levou cerca de 1 mês e meio de trabalho para que estivesse terminado o vídeo.


Noiserv

Outra das curiosidades entre a audiência, tanto para um vídeo, como para o outro, prendeu-se com questões de financiamento e apoios para a realização de um projecto destes.
Sem nunca falarem em valores, tanto Noiserv como Linda Martini contaram com a ajuda de amigos para a realização destes videos, e por isso mesmo admitem que o valor não foi tão alto como seria caso não tivessem este apoio, no entanto, para David Santos, que vê o seu EP editado pela Optimus Discos, não há um apoio propriamente dito da editora, uma vez que a mesma serve apenas como plataforma de lançamento, e não existe todo aquele trabalho normal que uma editora, no verdadeiro sentido da palavra, faria. No caso de Linda Martini, existe algum apoio da Lisboa Agência, mas continua a ser um encargo para a banda, que partilha despesas.

Aos Linda Martini foram ainda colocadas algumas questões de moda (os calções curtos), de geografia (porquê o Alentejo?) e de compreensão da letra (a corrida é uma metáfora para algo? onde está a mulher-a-dias no vídeo?).
Por partes, e passando a questão dos calções curtos à frente, uma vez que foi gravado no verão, em pleno Alentejo e exigia-se roupa confortável para correr, a Claúdia diz-nos que a escolha do Alentejo (Estremoz) acaba por ser um bocado óbvia pois é um sítio relativamente perto e com áreas livres e desertas, o que seria indicado para o que pretendiam fazer.

Em jeito de brincadeira, Hélio responde às perguntas de interpretação da letra deste tema e revela que "a mulher-a-dias faz dias que não vem", e que no dia do vídeo foi um desses dias, e daí ela não aparecer. Em relação à corrida, é-nos dito que não é necessariamente uma metáfora para algo, mas que no entanto fazia sentido para a banda, uma vez que a gravação de um disco é isso mesmo, uma corrida em que cada um segue para o seu lado e depois converge num só sentido.


Linda Martini

Findo estas apresentações, era altura de passar para as actuações ao vivo da noite, primeiro Os Pinto Ferreira, banda que começa a fazer furor com o seu single Violinos no Telhado, e que apresentou 4 músicas ao público presente na sala, como aliás fariam também os Macacos do Chinês. Os Pinto Ferreiro estarão de volta ao MusicBox para um concerto mais longo no dia 31 de Outubro.

Os Pinto Ferreira @ MusicBox (20-10-2010)


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Aos Macacos do Chinês coube encerrar a noite e continuar com a festa criada no público pelos Pinto Ferreira, algo que foi conseguido uma vez que uma das forças desta banda é mesmo essa, a capacidade de criar empatia com o público e de conseguir que existam corpos dançantes na audiência. Rolling na Reboleira, a Machadinha e Fala Bem foram alguns dos temas que a banda apresentou na noite de noite, em que houve também direito a uma música nova.

Macacos do Chinês @ MusicBox (20-10-2010)


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terça-feira, 19 de outubro de 2010

Mothership - Preview do EP


Os Mothership colocaram recentemente um preview do seu EP, intitulado "Silversun", no seu Myspace. Através desse preview temos, em quatro minutos, oportunidade de visitar o EP nos seus melhores momentos. Creio que é impossível não ficar entusiasmado pela qualidade que nos é apresentada, pelos pormenores e pela diferença. Esta diferença é importante, porque marca a originalidade. Para Portugal este é um som inovador. Não quero denegrir a imagem musical de Portugal ao dizer que o som é inovador, mas é um facto que o rock/metal progressivo não abunda no nosso país.
Venham vocês escutar e dar uma opinião. Eu que já ouvi o EP posso dizer-vos, Portugal chegou ao topo.

Review do EP para breve.

ps: a capa sofreu algumas alterações, nomeadamente no chão e fundo, mas esta é uma imagem similar ao produto final.

Preview do EP aqui:

ModaLisboa 2010 - Primavera/Verão - Luís Buchinho


Luís Buchinho é actualmente um dos mais conceituados estilistas nacionais. O seu nome ecoa até ao mundo internacional da moda, onde faz sucesso. No dia 8.10.10 tive o enorme prazer de assistir à apresentação da sua colecção Primavera/Verão, naquele que é um dos eventos do ano em Portugal, a ModaLisboa.


O Mercado da Ribeira foi o local escolhido para o evento deste ano, contrastando claramente entre duas classes sociais opostas, a que lá trabalha de dia, e a que de noite se apoderou do local. A transformação do Mercado foi quase perfeita, não fosse o odor sentido a fruta, que nos remetia para um cenário medieval sui generis. O local de "acolhimento", bem mais pequeno que o do ano passado no Terreiro do Paço, estava magnificamente bem decorado, com muitas luzes e olofotes brancos, contrastando com o negro da noite e do chão.
Ao habitual cocktail seguiu-se o desfile. A sala própria para o desfile era também mais pequena que do ano passado, mas estava bem construída e estruturada.


Luís Buchinho apresentou-nos uma colecção primorosa, que se distinguia pelas linhas finas e simples, pelas cores paisagísticas de África, e um ambiente algo atribulado. A linhas eram elegantemente distribuídas pelos corpos, sugerindo-nos uma adequação natural, como se de uma segunda pele se tratasse. As texturas visuais faziam-nos sentir o quente de África e a simplicidade da beleza, através de cortes estritos e utilização de materiais orgânicos.


Luís Buchinho criou uma colecção simples e elegante, inspirando-nos com as cores quentes e "sujas" do continente Africano, quase como sugestão de calor. Nas cores mais claras, tivémos exemplos muito naturais e simples de tecidos dinâmicos e urbanos, caracterizados tanto como vestuário para cidade-europeia, como para cidade-mundo, universal, exemplo de dinamização cultural e sentido de perspectiva futura. Aliás, é nestes pontos que Buchinho ganha. Ao mesmo tempo que cria algo simples, consegue remeter-nos para o futuro, para roupa que não cairá em desuso.
Luís Buchinho demonstrou-nos porque é considerado um grande artista e um dos nomes fortes da Moda nacional. A sua simplicidade enquanto estilista, é capaz de o definir como um ser humano humilde, que leva o trabalho muito a sério, mas que não fica preso ao presente.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Azevedo Silva na Fnac do Chiado


Apresentando o novo álbum, Carrossel, Azevedo Silva terminou em Lisboa a mini tour pelas fnacs do país. E foi assim que, como quem ansiava por esta oportunidade há algum tempo, o auditório da Fnac do Chiado se encheu de pessoas para dar as boas vindas e para saudar o regresso deste artista aos concertos na sua cidade.

Acompanhado em palco por Filipa Vale (violino/violoncelo), que tem acompanhado Azevedo Silva nesta tour e também participa em Carrossel, o showcase começa com um tema do álbum anterior, e é Die Mauer que abre as hostes musicais da tarde. Finda a música, juntam-se em palco os outros dois músicos que têm acompanhado todas estas datas pelos auditórios fnac, e podemos então encontrar em palco Nuno Silva (baixo) e Bruno Martins (guitarra/percussão) a completar a formação.

Ao segundo tema aparece-nos Dona Solidão, música que abre o novo álbum de Azevedo Silva. Álbum esse que ainda não está disponível, mas irá estar brevemente, diz-nos o próprio durante o concerto, e assim percebe-se que estes showcases são um pouco para aumentar as expectativas e criar alguma burburinho nas pessoas antes de realmente o disco poder estar disponível.

A partir deste ponto são-nos apresentadas uma a uma todas as músicas que compõem o Carrossel, e podemos verificar que é um Azevedo Silva mais maduro que se apresenta em palco perante nós, a essência da sua música perdura dos álbuns anteriores, e o seu à vontade e maneira de estar também, mas é na forma em como arriscou e ambicionou nestes novos temas e em como pensou estes espectáculos que realmente marcam uma diferença, e é nesse sentido que os três convidados têm um papel importante nesta actuação, e nos temas tocados.

O cantautor está igual a si próprio, liricamente os temas do álbum voltam-nos a submeter para uma atmosfera mais sombria, mas é aí que Azevedo Silva se sente confortável, no inconformismo de quem tem algo para dizer e de quem ambiciona mais, mas sempre com os pés bem assentes na terra, e demonstra-nos isso de uma maneira muito própria, seja através da forma como nos interpreta e expressa o sentimento das músicas, seja através da boa disposição contagiante com que se dirige ao público entre elas, contrastando e equilibrando aquele sentimento algo triste que nos é transmitido pelos temas, ou até mesmo quando no final do concerto, dá atenção a todas as pessoas que querem trocar dois dedos de conversa com alguém em quem se revêem, de uma forma ou de outra, ou apenas passar uma mensagem.

Julgo poder dizer que o sentimento geral de quem assistiu a este showcase é o de que a primeira volta dada no Carrossel tem um saldo bem positivo, e que muitos, onde me incluo eu, estamos já à espera para poder andar de novo.


Azevedo Silva @ Fnac Chiado (17-10-2010)


Setlist:
1. Die Mauer
2. Dona Solidão
3. Carrossel
4. Bússola
5. A Democracia será vingada no Rossio
6. Desassossego
7. A Mãe
8. Manel Cruz e a canção da canção triste

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Blame The Skies + Mothership + Hills Have Eyes +Devil In Me - Capricho Setubalense - Setúbal


Na passada sexta-feira, dia 15 de Outubro, a Capricho Setubalense teve a honra de receber uma das bandas mais bem sucedidas da música underground portuguesa, os Devil In Me. Desta vez a casa não esteve cheia, talvez por ser sexta ou por no mesmo dia e à mesma hora os setubalenses The Doups estarem a dar um concerto bem perto deste.
Quase à hora certa, os setubalenses Blame the Skies abriram esta noite de concertos. Apresentando o novo vocalista( Alex), a banda de metalcore de Setúbal deu um mini concerto, mas que foi algo de genial. Em pouco mais de 25 minutos apresentaram aquelas que vão ser as músicas do seu primeiro EP, algumas já bem conhecidas do público. Os Blame The Skies têm talento para dar e vender, começando na bateria e acabando nas guitarras, sem nunca esquecer o baixo e as vozes. Precisam urgentemente de uma tour por Portugal, para darem a conhecer o seu talento bem pesado.
De seguida tivemos o prazer de absorver toda a energia libertada pelos Mothership, na minha opinião uma das melhores bandas que Setúbal ofereceu nos últimos anos. Praticando um rock/metal progressivo, os Mothership apresentaram-se com uma novidade, um teclista, que cria um novo ambiente em torno da banda, favorecendo toda a música. É difícil destacar apenas uma coisa na banda e seria injusto referir apenas um membro, pois são todos grandes músicos, mas a bateria é o motor de todo este engenho artístico, roçando a perfeição e nunca falhando os tempos. Esta é uma banda que precisa urgentemente de concertos em Lisboa, esse local onde estarão a maior parte dos seus ouvintes, pois Setúbal não é uma boa cidade para o rock progressivo.
Os Hills Have Eyes deram um espectáculo imenso, com todo o seu poderio e coesão, transformando-se cada vez mais num símbolo musical da cidade, percorrendo o mesmo caminho que os More Than A Thousand.
Para o final da noite tivemos os cabeças de cartaz: Devil In Me. Nome poderoso no mundo da música nacional underground, nomeadamente no hardcore. Estes rapazes têm vários dons, um deles é de entusiasmar rapidamente as plateias por onde passam, e Setúbal não lhes é indiferente, pelo contrário, há um grande núcleo de fãs dos Devil In Me. O concerto em si foi o esperado, muita energia, muito contacto com o público, o chão da Capricho a balançar e muito, muito hardcore.

sábado, 16 de outubro de 2010

Scream VS Scary Movie



Há um problema com os filmes que fazem paródias dos outros filmes. É que ao parodiarem filmes supostamente sérios, acabam com a seriedade desses mesmos filmes. Soube recentemente que "Scream 4" vai estrear no próximo ano, e após os "Scary Movie", como é que podemos encarar este novo "Scream"?
A resposta parece óbvia, mas não é de facto.
A saga "Scream" começou em 1996, com esse primeiro filme realizado por um dos grandes realizadores de série B dos últimos anos, Wes Craven. Para quem não sabe, este primeiro filme é um thriller bem construído, capaz de nos meter "medo" e desenvolver em nós aquele bichinho de entusiasmo/suspense tão propicio dos filmes de Wes Craven. A "máscara", ou seja, o vilão, era supostamente aterrador e um sinal claro de perigo e maldade.
Em 1997, Wes Craven volta a pegar na história inicial, para lhe dar continuidade, realizando "Scream 2", que foi um grande fiasco e bastante criticado. E em 2000, Craven volta a pegar na série e volta a desgraça-la, criando o pior dos três filmes, "Scream 3".
A questão aqui não se prende com a qualidade dos filmes, mas sim com o seu propósito, que é de explorar o terror e criar em nós medo e suspense, através da "máscara".
Mas eis que também em 2000 surge uma nova saga, que nada tem a ver com Wes Craven, nem com a saga "Scream", falo então de "Scary Movie". Existe apenas uma referência à "máscara" Scream, onde esta é satirizada. Esta cena torna-se então objecto de culto entre os fãs dos filmes Scary Movie.
Após termos associado a máscara Scream a algo da comédia, e termos explorado a fundo o conceito de terror do seu personagem, o que podemos esperar de "Scream 4"?
Creio que Wes Craven terá que reformular completamente o género, primeiro para não cair no erro dos dois últimos filmes da saga, que são um enorme fracasso, segundo para conseguir distanciar-se da comédia aliada ao seu personagem principal fulcral.
Além deste caso, temos outros na história do cinema, em que os filmes que fazem paródias de outros, podem arruinar o conceito dos originais. Enquanto isto, uns vão rindo, outros vão tendo medo. Espero que voltemos a sentir medo neste novo Scream...

Projecto būan (festival ZAAT)



"apresentações:
15 I 16 I 22 I 23 Outubro
21horas

(entrada livre)

---
būan = /buːɑn/

por detrás das palavras escondem-se conceitos difíceis: ser público, ser privado. acrescenta-se ainda a dificuldade do verbo que indica a inevitabilidade, a força do destino que nos leva a ser e não mais a estar. de nós, ficará para trás o nomadismo e os estados de alma. porque hoje temos nacionalidades e casas. somos de um espaço público. temos um espaço privado. viajamos a horas marcadas pelas ruas, tendo a casa como último reduto. faz-nos falta o amor público, ou a construção do amor à cidade como casa de um nós cujas caras se fecham nas janelas. esta performance é um passeio pela intimidade das ruas e um regresso à Lisboa, cidade-lar, onde sem querer ou intencionalmente havemos de escolher uma casa para habitar num instante e meio.


criação artística:
cátia Terrinca I francisco Sousa I joana Peralta I joão Leitão I sara Vicente

produção:
sara Garrinhas

colaboração:
paulo Melancia I sara Daugberg
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Contactos:
colectivo3.14@gmail.com
www.facebook.com/buan3.14
www.projectobuan.blogspot.com "

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Klaxons no próximo Optimus Secret Shows



"Os Optimus Secret Shows, concertos exclusivos e totalmente gratuitos, que trazem a Portugal grandes nomes da música mundial, estão de regresso. Desta vez, sobem ao palco, para um concerto exclusivo, os Klaxons, uma das bandas britânicas mais esperadas do momento.

É já no próximo dia 24 de Outubro que a banda londrina de indie rock subirá ao palco dos Optimus Secret Shows. Neste concerto vai apresentar o seu segundo álbum de estúdio editado em Agosto deste ano e produzido em Los Angeles, pela lenda do rock Ross Robinson, responsável por álbuns de artistas como Sepultura, Slipknot, At the Drive In e The Cure.

A sala e a hora do espectáculo ficam, para já, por revelar, para manter o espírito de secretismo que marca este conceito. Para saber em primeira-mão todas as informações, os fãs da banda britânica deverão ficar atentos ao perfil Myspace Optimus Secret Shows.

A abertura do concerto será feita por Dusk at the Mansion, dupla de Lisboa formada por Ricardo Mestre e David Costa. Uma banda electrónica marcada por influências synth-pop e rock, inspirada em bandas como Kraftwerk, Depeche Mode, Gary Numan e Soft Cell. Voz, computador e bateria, complementadas neste concerto pelo violoncelo de Leihla Pinho.

Recorde-se que os Optimus Secret Shows são totalmente gratuitos. Para ter acesso basta ser utilizador registado do Myspace, adicionar o perfil Optimus Secret Shows e o perfil Optimus Lounge, imprimir o bilhete e correr para a fila do próximo espectáculo para ser dos primeiros e, assim, garantir um lugar antes que se esgote a capacidade da sala."

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Abe Vigoda e Benjamin Guedel

Hoje deixo aqui vários assuntos que considero que merecem destaque:

- Para os amantes do new wave rock, apresento-vos: Abe Vigoda, uma banda de Los Angeles. Se de aparência parecem apenas uns miúdos, musicalmente o seu som é bastante coeso e experiente. A nível musical não é algo muito inovador, mas mistura alguma electronica no estilo padronizado do new wave, o que nos consegue refrescar um pouco os ouvidos e perder a sensação de "hum, já ouvi isto no new wave".

Myspace da banda:

- A outra referência vai para as poderosos e incriveis ilustrações de Benjamin Guedel.
Poderia escrever imenso sobre estas imagens, mas deixo qualquer reflexão para a vossa pessoa.
Site do artista:


Admirem-se com as imagens:





Prime Time Nation - O projecto de Rafael Martinez Cláudio



Nos dias que correm, um projecto musical original é uma enorme dádiva caída dos céus. Quase todos os géneros foram profundamente explorados e apenas a electrónica tem dado novos frutos. É daqui que surge uma das propostas mais interessantes da música nacional dos últimos anos. Não vou falar de um projecto conhecido nem reconhecido, mas sim de algo que tem enormes potencialidades criativas e que no futuro, se seguir o caminho certo, poderá vir a figurar entre um dos maiores destaques da música electrónica nacional, e quem sabe no panorama internacional.
Não vou falar de nenhuma banda, mas sim de um projecto individual, que não é DJ set.
Prime Time Nation é o projecto de um jovem, Rafael Martinez Cláudio. É um projecto electrónico experimental, onde o jovem explora o conceito criativo da música, não de um ponto de vista de enorme qualidade técnica, mas do ponto de vista refrescante como resultado final. Prime Time Nation é uma mistura de influências, transfiguradas e apadrinhadas pela electrónica. O resultado é algo do mais original que se pode ouvir por terras lusas. É verdade que é um projecto que não requer um enorme conhecimento a nível de formação musical, porque é composto por alterações musicais de samples e encaixes de ideias. Mas é aí que reside a sua força. Para criar algo assim é preciso termos uma grande mente imaginativa. As ferramentas que usamos para chegar ao resultado final pouco interessam, e neste caso resultam em grande.
Misturem Daft Punk, Depeche Mode, Kraftwerk e Nine Inch Nails e talvez tenham algo parecido.
A força do projecto reside na criação do jovem, que é capaz de criar sonoridades complexas e viciantes. De referir que o projecto tem vozes de convidados especiais e a guitarra é da autoria do mesmo.
Com Prime Time Nation a electrónica experimental ganha novo folgo e aponta-nos um caminho para o futuro, onde a música ainda poderá progredir.

Para ouvirem este projecto:

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Melody Gardot - "My one and only thrill" (2009)



Há músicos que têm histórias particulares. Umas são clichés habituais, outras histórias únicas e surpreendentes. Melody Gardot não se fica atrás e tem também uma história de vida fantástica.
Para quem não a conhece, Melody Gardot é uma cantora de Jazz/blues, muito influenciada pela música de Miles Davies, Janis Joplin e também pela música latina de Caetano Veloso.
Contudo, a sua história prende-se com um acidente. Em 2003, Melody foi atropelada por um jipe. Nesse acidente sofreu graves lesões, tanto físicas como cerebrais. A sua recuperação levou anos e teve que aprender a fazer quase tudo de novo, visto que perdeu grande parte da noção de tempo e memória. Ao longo dos anos melhorou bastante e conseguiu progredir na música, através de um imenso talento e de acreditar bastante na sua arte. Esta é uma prova de que o ser humano é capaz de quase tudo se se esforçar ao máximo.
Falando musicalmente, estamos perante ( desculpem a metáfora) a descida de um anjo à terra. A voz de Melody é angelical e transmite-nos um sentimento de calma sem igual. A acompanha-la estão grandes músicos do jazz e blues, que conseguem criar todo um universo de encanto e admiração. Melody é afinada, encantadora e capaz de nos prender à sua música pela sua doce voz. O álbum "My one and only thrill", de 2009, é uma peça de arte sem igual no jazz da actualidade. A sua musicalidade, voz incomparável e a forma como nos transmite sentimentos de "aconchego" tornam-na uma das grandes revelações dos últimos anos. É certo que as músicas desse mesmo álbum são algo repetitivas na sonoridade, mas a voz de Melody torna-o capaz de estar em repeat vezes sem conta, como se entrássemos num mundo especial do qual nunca quereríamos sair.
Melody Gardot é uma daquelas artistas que nos consegue transmitir sentimentos únicos e remeter-nos para a verdadeira essência da arte. Este "My one and only thrill" é um daqueles álbuns obrigatórios para o inverno, para nos acompanhar à chuva, num qualquer café, numa qualquer ocasião. Simplesmente divinal...

She Wants Revenge – She Wants Revenge (2006)



Pensar em She Wants Revenge é pensar em dor. É pensar essencialmente em relações, em pessoas. É pensar no medo e particularmente no medo das relações e no medo das pessoas. É pensar no medo que a dor e o desejo podem causar.

Longas ou fortuitas, as relações que se criam entre as pessoas são, ao som dos She Wants Revenge, quase animalescas, sádicas, agradavelmente estranhas. Um misto de sensações.

É isto também que se sente ao ouvir She Wants Revenge – um misto de sensações. A começar pelo próprio nome da banda, prevê-se um cenário doloroso para tudo o que virá depois.

É graças às influências dos Joy Division, dos The Cure ou dos Depeche Mode que Justin Warfied – voz, guitarra e teclas, e Adam Bravin – voz, baixo, teclado, sintetizador e bateria, dão vida aos She Wants Revenge.

Mais do que emoções, memórias ou pensamentos, a música dos She Wants Revenge dá especialmente a sensação de que tudo é possível, de que o imprevisível surgirá a qualquer instante, fatal como o destino.

Essenciais no movimento revivalista post-punk, os She Wants Revenge são também actualmente um nome com cada vez mais importância no rock alternativo.

O primeiro álbum, homónimo, foi lançado em 2006. Em 2007 lançaram o segundo álbum – This Is Forever. Para além destes dois álbuns, a discografia dos She Wants Revenge engloba seis EPs – o último intitulado Save Your Soul, lançado em 2008.

Em She Wants Revenge, de 2006, o som é definitivamente cru. As letras são quase perversas. Um tanto subtis, mas definitivamente sexuais. Acima de tudo, são capazes de perturbar as mentes mais conservadoras.

O instrumental é genuíno. Baterias e baixos a fazer lembrar Joy Division e a voz de Justin Warfield a lembrar a de Dave Gahan, tornam o som no mínimo dançável, obviamente sensual.

She Wants Revenge, o primeiro álbum, é um álbum que abre com a melhor das faixas. Red Flags And Long Nights, um dos grandes temas deste álbum, é incomparável.

“You can occupy my every sigh/ You can rent a space inside my mind/ At least untill the price becomes too high” é um pouco daquilo que se pode esperar de Red Flags And Long Nights. A letra é tão real que arrepia. Dá vontade de ouvir esta faixa em repeat durante horas.

These Things, a segunda faixa deste álbum homónimo também não fica atrás. Como uma sequência sexual que teve o seu início em Red Flags And Long Nights, cria-se ao longo deste álbum uma história carnal, tão intensa que atinge o seu auge com a fabulosa Tear You Apart. Em These Things, há irreversivelmente uma dor psicológica. Consciente da situação, a voz de Justin Warfied revolta-se ao cantar

“I heard it's cold out, but her popsicle melts/ She's in the bathroom, she pleasures herself/ Says I'm a bad man, she's locking me out.”

A sequência persiste. A luta pelas relações, pelas pessoas, é contínua. O medo e a dor (uma confusão de dor física e psicológica) sempre presentes.

As faixas I Don’t Want To Fall In Love, Out Of Control e ainda Broken Promisses For Broken Hearts são o melhor exemplo disso.

Com o lançamento do single Sister, os She Wants Revenge atingiram o seu pico de revelação. Com um instrumental que parece estar a pedir momentos agradavelmente dolorosos, Sister é o tema que guarda em si todos os segredos e pensamentos mais tenebrosos. O conhecido refrão “You better lie down ‘cause the angels are watching/ She closed her eyes and said quit the talking/ You can hurt me do whatever you like” é o exemplo daquilo que são os She wants revenge. Despretensiosos, directos, reais.

A história carnal continua, novas experiências surgem, mas sempre com o medo presente. Um medo por vezes inconsciente, mas necessário. De outra forma, toda esta realidade adjacente aos She Wants Revenge não seria possível.

Mas é de facto com o single Tear You Apart que se tem a certeza que é difícil tornar tudo mais explícito. Aqui já não se encontram grandes subtilezas. Tear You Apart é sinónimo de sexo. Talvez a melhor faixa do álbum, Tear You Apart afirma-se como a banda sonora ideal para a mais obscura das noites.

She Wants Revenge é um álbum que nos leva a um sítio novo, diferente pelo menos. Leva-nos à ousadia. Leva-nos a percorrer a nossa mente, constantemente, entre desejos e possibilidades.

Leva-nos, definitivamente, a um misto de sensações.