quarta-feira, 30 de junho de 2010

Sea of Cowards - The Dead Weather




Sea of Cowards (2010)
The Dead Weather



Mar de Cobardes, em livre tradução - diz-se ser uma dedicatória ao mundo da internet - é o segundo albúm de originais, da super-banda The Dead Weather, depois do bem sucedido, Horehound, do ano passado. Esta banda acidental e repentina, nascida de uma jam entre os Racounters e os The Kills, aquando de uma tour conjunta. Nunca um acidente culminou num prognóstico tão positivo.

Sea of Cowards saiu no passado dia 11 de Maio, e promete colher tão boas ou melhores críticas que o seu antecessor. Dispensam-se apresentações de Jack White e Allison Mosshart, as figuras de proa deste projecto delicioso, que mistura várias influências, e uma diversidade de boas sonoridades. O primeiro avanço para teledisco é Die By the Drop, porventura a canção mais orelhuda do albúm.

Há um misto de acid-rock, com letras misteriosas e sombrias, uma voz sensual de Allison, e um mais saliente experimentalismo por parte da banda. A alternância de musicalidade torna-se mais voluptuosa do que em Horehound. Continuamos a sentir o espírito de jam, de descontracção e entrega da banda, mas num registo mais sério, e empenhado em ressalvar um "Hey, estamos aqui, e queremos marcar esta década". É um albúm que mostra uns Dead Weather mais sólidos, a evolução é peremptória.


Track listing:

1. Blue Blood Blues
2. Hustle and Cuss
3. The Difference Between Us
4. I'm Mad
5. Die By the Drop
6. I Can't Hear You
7. Gasoline
8. No Horse
9. Looking at the Invisible Man
10. Jawbreaker
11. Old Mary


Análise a um realizador - Steven Spielberg



A carreira de Steven Spielberg é, como todos devem saber, repleta de sucessos. Desde ET a Jurassic Park, A lista de Schindler, Tubarão, ou Hook, Catch me if you can e Indiana Jones, entre outros.
Steven Spielberg habitou-nos a dar-nos bom cinema. Mas este é um realizador com marca própria, um estilo caracterizador, tanto a nível de realização como na forma como conduz a narrativa.
Em praticamente todos os seus filmes, excepto Munich e War of the Worlds, Spielberg dá-nos a felicidade, retira-nos e volta a dá-la no final, mas em proporções diferentes, como se de um Deus se tratasse.
Os valores nos seus filmes primam pela amizade, ligação familiar e conjuntura de aventura, não muito pelo amor, ou então mascarado noutras formas. Spielberg não é um romântico, é antes um amante da amizade, de valores capazes de unir todos os seres humanos.
Se não contar com o último Indiana Jones, que considerei fraco, não temos um filme verdadeiramente Spielberg desde 2005, com Munich, mas até esse é feito em módulos ligeiramente diferentes dos habituais de Spielberg, apesar de ser uma obra prima imensa.
E tanta falta que faz ao Mundo o cinema de Spielberg, tanta falta...é triste ver crianças a crescerem sem o cinema de Spielberg. Acho triste porque é ainda dos poucos realizadores que ao mesmo tempo que nos faz sonhar, encaminha-nos para um propósito para todos os factos. E todos nós sabemos o quanto o ser humano gosta de explicações para tudo.
Volta Steven, o cinema e o mundo precisam de ti!

terça-feira, 29 de junho de 2010

Análise a uma banda - Ella Palmer



Os Ella Palmer são uma banda Setubalense de Rock. Neste ano comemoram 5 anos de existência, o que é de louvar na música portuguesa, porque os projectos são cada vez mais curtos, muitas vezes devido a poucos apoios.
Os Ella Palmer já passaram por muito. Mudanças de membros e mudança de estilo musical são as principais alterações. A questão dos membros não necessita de ser muito abordada, é algo natural em todas as bandas. A mudança de estilo não foi, a meu ver, negativa.
Para quem conhecia os Ella Palmer de 2005-2007, sabe que estes rapazes possuíam um estilo um pouco mais pesado, mais próximos de uns More Than A Thousand. Algum tempo depois os Growls desapareceram, entraram mais riffs de guitarra e a banda cresceu nas suas actuações ao vivo e no mundo da música underground nacional. Os fãs começaram a surgir em maior número e o nome a ser reconhecido.
Agora, em 2010, os Ella Palmer continuam aí para ficar, e isso é bastante necessário num país onde a música serve para ser consumida e deitada fora quase de seguida.
5 anos é o reconhecimento de uma evolução. Não creio que se tenha perdido algo nesta mudança de estilo musical, e penso que a música "Ella", em português, é um sinal claro de que o rock também fala português, o rock underground, o rock do povo que tem alma.
Os Ella Palmer são assim mais um pedaço da genuinidade nacional, com mudanças naturais, porque a música também muda, e acima de tudo é um negócio que pode ser proveitoso.
Esperemos que por cá continuem muitos mais anos.

Myspace da Banda:

Michael Jackson - Rei


Ia escrever sobre o Michael Jackson, mas lembrei-me que há um ano atrás tinha escrito algo sobre ele. Fui reler o texto e acho que não tenho nada mais a acrescentar. Como o texto nunca foi publicado aqui, achei completamente legítimo publica-lo.
Aqui está ele:

Desde dia 25 de Junho que o Mundo está unido, naquilo que pode ser referido como a homenagem ao melhor artista do séc. XX.
Ingleses, Japoneses, Alemães, Chineses, Americanos, Iranianos, Croatas, Sérvios, Argentinos, Africanos, Australianos, etc.
Todos os países choram a morte DO artista, do verdadeiro rei, não apenas da pop, mas de imensos géneros culturais.
Olhando actualmente para as artes, principalmente em Portugal, vemos que não é a questão de maior interesse e que é mais incentivada.
Diz-se que não há uma solução para evitar as guerras entre seres humanos. Não ha forma de parar com o sofrimento humano, que é reproduzido por armas e outros meios.
Não será a arte a solução para a paz?
Michael Jackson é o rei da música, mas não será também o rei da paz?

domingo, 27 de junho de 2010

Kids in Orbit



Há talento para lá da troposfera e estes rapazes em orbita são prova.

Quebrem-se as barreiras e as correntes que nos prendem as concepções musicais mais terrenas e explore-se a vastidão etérea por onde deambulam as composições dos Kids in Orbit, aqui há de tudo. Kids in orbit vai beber inspiração a Daft Punk e Vangelis como grandes referencias da tecnho e nomes mais recentes com M.I.A. Dos ritmos mais dançaveis que facilmente imaginamos numa discoteca ao experimentalismo nonsense.

A premissa é só uma: separar o espiritual do fisico ao embarcar numa viagem metamorfica da alma. Nestes transes em que a musica nos coloca, onde conseguimos apreciar os cenarios cromáticos que segundo a segundo se vão pintando nas nossas mentes, as subtilezas musicais revelam-se como fruto de um processo delicado e engenhoso de enquadramento sincopado de ritmos e melodias.

Zelig na Fnac do Chiado


Os Zelig são uma banda oriunda do Porto, e estiveram esta tarde no auditório da Fnac do Chiado a apresentar o seu álbum de estreia Joyce Alive!. Acho que é um bocado incontornável quando se fala nos Zelig não se associar à ideia que é mais uma banda a surgir de um dos elementos dos Ornatos Violeta, depois dos projectos de Manuel Cruz e de Nuno Prata, por exemplo, é a vez de Peixe apresentar um projecto seu, no entanto, acabam aqui todas as semelhanças com Ornatos, uma vez que os Zelig são uma banda mais experimental, como que um improviso ensaiado, com toda a contradição que acarreta a expressão. O que quero dizer com isto, é que os Zelig se fazem valer de tudo o que têm à volta para fazer som, daí a vertente do seu rock experimental se assim lhe quisermos chamar, sem rótulos, são apenas cinco pessoas talentosas a fazer música e a divertirem-se com isso.

Zelig @ Fnac Chiado (27-06-2010)



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Christian Bale



Quem tem acompanhado a carreira de Christian Bale tem certamente reparado num pormenor bastante curioso. Quando tinha apenas 13 anos, Bale foi o protagonista de um filme de Steven Spielberg, chamado "Empire of the Sun" ( por acaso o meu filme preferido do Steven Spielberg).
Com apenas 13 anos participou num filme que marcou várias gerações e que é hoje exemplo de um grande filme, de enorme qualidade. Com 13 anos teve um desempenho excelente, sendo capaz de demonstrar vários sentimentos, como desespero, sofrimento, angústia, tristeza..
Com 13 anos Christian Bale entrou para a história do cinema coo um actor bastante promissor.
Ora bem, para quem tem acompanhado a sua carreira, sabe que Bale só voltou a participar num filme de relativo sucesso em 2000, com American Psycho. O que se passou entretanto durante 1987 e 2000? Como é possível que um actor que teve um papel extraordinário enquanto criança em Empire of the Sun, não tenha sido capaz de agarrar bons filmes? Ou será que foram os bons filmes que erraram?
Porém, quem tem acompanhado esta sua carreira, sabe que a culpa não foi bem sua, pois Bale, em 2000 voltou como o actor que tinha interpretado "Jim" em Empire of the Sun, o grande actor capaz de demonstrar sofrimento, desespero, vários sentimentos de forma tão real. E a partir daí a sua carreira foi crescendo como já devia ter crescido antes, e os sucessos amontoaram-se.
Desde The Machinist, a Batman Begins, The New World, Rescue Dawn, The Prestige( representação incrivel), 3:10 to Yuma a Dark Knight e Public Enemies, Bale passou do pequeno miudo do filme de Spielberg, a actor excepcional, com a carreira que lhe fora sempre prometida.

sábado, 26 de junho de 2010

Slamo + Uruguai no Santiago Alquimista


O Santiago Alquimista foi o espaço escolhido para o regresso dos Slamo a Lisboa, após uma passagem pelo Porto, os Slamo voltaram a 'casa', e após uma paragem de 10 anos estão de volta. Da formação original mantém-se apenas o mentor da banda, Tóbel Lopes, que é agora acompanhado por Paulo Bazilio na guitarra, Gonçalo Pires no baixo, Daniel Cardoso na bateria e Jay Jay nas teclas.
Na primeira parte do concerto estiveram os Uruguai, que abriram as hostilidades com um rock musculado bastante apreciado pelo público. Curiosidade, ou não, é o 'Falâncio' dos Homens da Luta ser um dos guitarristas dos Uruguai, e talvez por isso não tenha também sido de espantar que a banda tenha apresentado uma cover dos sobejamente conhecidos Kalashnikov.

Slamo @ Santiago Alquimista (25-06-2010)



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Uruguai @ Santiago Alquimista (25-06-2010)

You Can't Win, Charlie Brown no Auditório da Restart


Os You Can't Win, Charlie Brown voltaram a juntar a formação toda para mais um concerto em Lisboa, desta vez foi o Auditório da Restart a acolher a banda.

You Cant' Win, Charlie Brown @ Restart (25-06-2010)



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PAUS - Mudo e Surdo - Análise ao Videoclip





Os PAUS são uma "super banda" formado por elementos de outras bandas já conhecidas, como os Linda Martini, If Lucy Fell, Riding Pânico e Vicious Five.
Esta "super banda" tem vários aspectos característicos, desde a bateria siamesa, ou seja, duas baterias agarradas pelo mesmo bombo, com dois bateristas, a uma ambiência totalmente diferente do que se pode prever de elementos de bandas tão "reconhecidas".
Este texto vem a propósito da análise que ando a produzir sobre novos videoclips nacionais.
E o que expressar sobre o videoclip "Mudo e Surdo"? Ora bem, primeiro a musicalidade. É realmente fantástica a forma como as vocais em coro, dizendo absolutamente nada senão gemidos e "oh's" resultam na plenitude dos factos. E a letra(?) é capaz de ficar na cabeça! Quanto à sonoridade, resulta muito melhor ao vivo, mas as imagens do videoclip estão a acompanhar muito bem essa musicalidade.
Juntar um estilo de dança chamado "Kuduro", com a música dos PAUS é de uma absoluta genialidade. Primeiro porque resulta, os dançarinos fundem-se na perfeição com as mudanças musicais. Segundo porque é juntar dois mundos, completamente díspares, mas que resultam em algo perfeitamente engraçado.
Sendo assim, temos aqui a produção de vários aspectos positivos, nomeadamente o valor dado ao "Kuduro", aos dançarinos de um estilo diferente do que é ouvido no clip, e temos também uma música alternativa e bem conduzida, com "oh's" que ficam na cabeça e que resultam tão bem ao vivo.
Uma prova de que mundos diferentes se podem unir e resultar perfeitamente.

Aqui fica o videoclip:

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Gabriel o Pensador



Há um artista que pauta a sua carreira pela luta contra a violência, a injustiça e o mal no mundo. Chama-se Gabriel o Pensador, e o seu próprio nome artistico pretende passar uma mensagem, a de que temos que pensar mais um bocadinho nas nossas próprias acções e nas possiveis consequências. Que temos que pensar que podemos "curar" algumas injustiças por esse mundo fora, que podemos mudar a nossa vida e deixar que abusem de nós.
Gabriel abre-nos um caminho, sem verdadeiramente mostrar como segui-lo, mas tem essa intenção e sempre lutou por isso nas suas músicas.
Gabriel carrega o espirito do brasileiro pobre, que sofreu toda a vida os abusos dos "grandes".
Tem sido um artista que além de fazer a sua própria musica, tenta agitar a sociedade, apelando a valores dignos.
Gabriel o Pensador é a meu ver um dos verdadeiros génios dos anos 90, não pela sua música, que mesmo assim tem imensa garra e musicalidade, mas sim pelas letras, que retratam um pouco do que se passa em todas as sociedades por esse mundo fora.
Houvesse mais artistas assim....

Deixo aqui a letra da música "Até Quando":

Não adianta olhar pro céu com muita fé e pouca luta
Levanta aí que você tem muito protesto pra fazer e muita greve
Você pode e você deve, pode crer
Não adianta olhar pro chão, virar a cara pra não ver
Se liga aí que te botaram numa cruz e só porque Jesus sofreu
Num quer dizer que você tenha que sofrer

Até quando você vai ficar usando rédea
Rindo da própria tragédia?
Até quando você vai ficar usando rédea
Pobre, rico ou classe média?
Até quando você vai levar cascudo mudo?
Muda, muda essa postura
Até quando você vai ficando mudo?
Muda que o medo é um modo de fazer censura

(Refrão)
Até quando você vai levando porrada, porrada?
Até quando vai ficar sem fazer nada?
Até quando você vai levando porrada, porrada?
Até quando vai ser saco de pancada?

(Repete refrão)

Você tenta ser feliz, não vê que é deprimente
Seu filho sem escola, seu velho tá sem dente
Você tenta ser contente, não vê que é revoltante
Você tá sem emprego e sua filha tá gestante
Você se faz de surdo, não vê que é absurdo
Você que é inocente foi preso em flagrante
É tudo flagrante
É tudo flagrante

(Refrão x2)

A polícia matou o estudante
Falou que era bandido, chamou de traficante
A justiça prendeu o pé-rapado
Soltou o deputado e absolveu os PM's de Vigário

(Refrão x2)

A polícia só existe pra manter você na lei
Lei do silêncio, lei do mais fraco:
Ou aceita ser um saco de pancada ou vai pro saco

A programação existe pra manter você na frente
Na frente da TV, que é pra te entreter
Que pra você não ver que programado é você

Acordo num tenho trabalho, procuro trabalho, quero trabalhar
O cara me pede diploma, num tenho diploma, num pude estudar
E querem que eu seja educado, que eu ande arrumado que eu saiba falar
Aquilo que o mundo me pede não é o que o mundo me dá

Consigo emprego, começo o emprego, me mato de tanto ralar
Acordo bem cedo, não tenho sossego nem tempo pra raciocinar
Não peço arrego mas na hora que chego só fico no mesmo lugar
Brinquedo que o filho me pede num tenho dinheiro pra dar

Escola, esmola
Favela, cadeia
Sem terra, enterra
Sem renda, se renda. Não, não

(Refrão x2)

Muda, que quando a gente muda o mundo muda com a gente
A gente muda o mundo na mudança da mente
E quando a mente muda a gente anda pra frente
E quando a gente manda ninguém manda na gente

Na mudança de atitude não há mal que não se mude nem doença sem cura
Na mudança de postura a gente fica mais seguro
Na mudança do presente a gente molda o futuro

Uma Flor Desfolhada Prematuramente


Desert Flower
Sherry Horman, 2009


Desert Flower é fundamentalmente a história da supermodelo Waris Diries. de origem somali, que se tornou uma estrela ascendente no mundo da moda por mero acaso, mas que sofria em silêncio devido á mutilação genital a que foi submetida com apenas 5 anos de idade. Com 13 anos, Waris palmilhou um deserto por quase 500 quilómetros até Mogadíscio, capital da Somália, para fugir do casamento iminente com um homem muito mais velho.


Aí conseguiu voar para Londres, tornando-se empregada de limpeza de um Mc Donald's de Londres.
Foi descoberta aí, enquanto trabalhava, pelo fotógrafo Terence Donovan - muito prestigiado, pois fotografou para a Harper's Bazaar e Vogue, dirigiu cerca de 3000 anuncios publicitários, e ainda foi íntimo de várias personalidades que inluíam músicos, actores e a té a realeza - que a colocou na capa do Pirelli Calendar, de 1987, sendo isto uma catapulta para um sem número de trabalhos importantes.


Em 1997, retirou-se da carreira de modelo, para se dedicar totalmente ao seu trabalho como defensora dos direitos das mulheres, e tornou-se embaixadora das Nações Unidas para a abolição da Mutilação Genital Feminina, prática que é tão normal e de tradição na Somália, mas extremamente perigosa e desumana, que resulta em mortes de milhares de crianças e mulheres, que sangram até á morte. Fundou a Desert Dawn Foundation, de forma a recolher meios para a construção de um centro médico na Somália, e fazer campanha contra esta vicicitude.



No filme, quem recria Waris é a modelo da Etiópia, Liya Kebede. As semelhanças físicas entre ambas são notórias. O filme está bem conseguido, no sentido em que é a história da "gata borralheira", e em que conseguimos ter uma ideia do que as mulheres e meninas passam no seu país. Há cenas particularmente impressionantes, ainda que não explicitamente, mas que fazem sentir uma revolta interior que estas tradições completamente absurdas, fatais, e desumanas continuam em curso em vários países.






Abaixo um pequeno vídeo sobre a Mutilação Genital Feminina, na Somália:
http://www.youtube.com/watch?v=6bfzSG6Mt_M

Gravações do novo álbum de Azevedo Silva


Em finais de Abril acompanhei por alguns dias as gravações do novo álbum do cantautor Azevedo Silva. A ideia seria documentar visualmente o processo de gravação do álbum e poder mostrar às pessoas um pouco do que é, do que acontece, e de como se vive um processo deste tipo, e assim, nos estúdios de Fernando Matias (F.E.V.E.R., Moonspell, Linda Martini, If Lucy Fell entre outros), foram captadas as imagens que vos mostro em baixo.



É um processo complicado, que exige muito, principalmente para quem não tem na música a sua ocupação principal, não por não querer, apenas porque é do conhecimento geral que são raros os artistas que conseguem viver da música em território nacional, o que significa que por gosto, são muitas horas pós-laborais dedicadas, noites dentro a desenvolver ideias, a experimentar, a conversar, a tocar, etc.
O Carrossel, assim denominado o álbum, conta com um leque vasto de convidados, como por exemplo Bruno Martins (Common Fluid), Nuno Silva (Madcab), Afonso Cabral e Salvador Menezes (You Can't Win, Charlie Brown), Filipe Paszkiewicz, Filipa Vale, Filipe Grácio (Madcab / Azevedo Silva), entre outros, e tem algumas particularidades como por exemplo o barulho de um aspirador gravado para uma música, o som de uma maçã, ou até da participação de Filipe Grácio que se encontra nos EUA, e gravou as suas partes além mar. Mas para ver isto, e muito mais, aconselho a visita pela página do Facebook de Azevedo Silva, onde poderão ver os vídeos feitos durante as gravações, e para conhecerem também um pouco mais deste projecto.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Milhões de Festa


Pode-se dizer que o Milhões de Festa é quase como um festival itinerante, e a edição deste ano realiza-se em Barcelos, mais concretamente na zona ribeirinha da cidade.
Dividido em 3 dias, de 23 a 25 de Julho, o Milhões de Festa tem tudo para ser um sucesso, com um cartaz diversificado, apostando não só em artistas internacionais, mas muito na 'prata da casa', o cartaz está-se a compor, e tem já muitos nomes confirmados.
Organizado pela Lovers & Lollypops, em parceria com algumas entidades da região, é uma forma de também se conseguir dinamizar a zona, e levar à cidade um considerável número de pessoas.
Os bilhetes encontram-se já à venda nas lojas habituais, e podem encontrar toda a informação que necessitam no site oficial do festival: Milhões de Festa

O cartaz está agora fechado e os horários estão divulgados, sim, é mesmo verdade, vai haver milhões de festa até madrugada!

23 de Julho

Piscina (abertura das portas às 14h)

Tren Go! Soundsystem 15h00
Bears: 15h40
RUDOLFO 16h20
Claiana 17h00
Move The Crowd (DJ Spot + Kidflames + Spark) 17h40

Palco Vice (abertura das portas às 17h)

Evols 18h
Larkin 19h30
Sizo 21h00
Black Bombaim 22h30
Faca Monstro showcase: 00h15
Tony From Eustachian 01h45
Captain Ahab 03h00
Sickboy 03h45
MEGABASS 04h45

Palco Milhões (abertura das portas às 17h)

Plus Ultra 18h45
The Glockenwise 20h15
Men Eater 21h45
Valient Thorr 23h15
Electric Wizard 00h45

24 de Julho

Piscina (abertura das portas às 14h)

Lululemon 15h00
Throes 15h40
Feia Medronho, Escravos de Satã 16h20
Marçal dos Campos 17h00
Fabulosa Marquise + Os Yeah! 17h40

Palco Vice (abertura das portas às 17h)

Aspen 18h00
Cavalheiro 19h30
Hype Williams 21h00
ALTO! 22h30
André Granada 23h15
Gold Panda 00h45
Hounds of Hate 01h30
Crisis 02h45
Concorrência 03h30
BMX (Bandido$ + Xinobi) 04h45

Palco Milhões (abertura das portas às 17h)

Long Way to Alaska 18h45
Appaloosa 20h15
PAUS 21h45
The Fall 23h15
El Guincho 01h30

25 de Julho

Piscina (abertura das portas às 14h)

DREAMS 15h00
Sunflare 15h40
Tigre Deficiente 16h20
The Shine 17h00
Andamento 17h40

Palco Vice (abertura das portas às 17h)

Riding Pânico 18h00
The Ghost of a Thousand 19h30
Bo Ningen 21h15
ZA! 23h00
Monotonix 00h45
Crystal Fighters 03h00
South Rakkas Crew - Mad Decent 04h
Aerobica 05h30

Palco Milhões (abertura das portas às 17h)

Extraperlo 18h45
Year Long Disaster 20h15
Karma to Burn 22h00
Toro y Moi 23h45
Delorean 01h45

terça-feira, 22 de junho de 2010

Ver o destino com os próprios olhos



The Time Traveller's Wife
Robert Schwentke, 2009



Filme que data do ano passado, estreia agora nos cinemas. Uma adaptação para o cinema do best-seller homónimo de Audrey Niffenegger, publicado em 2003. O romance teve sucesso, e um transporte para a grande tela, era de prevêr. Sobre o realizador alemão, Robert Schwentke, há que salientar que foi premiado no ano de 2002, com a sua obra de estreia, Tattoo, no Fantasporto. Também é dele o thriller de 2005, Fightplan, com Jodie Foster. Neste filme, o realizador foge á sua linha cinematográfica, passando de filmes fortes de acção, a um romance-drama. Quando aos intérpretes, as personagens fulcrais ficáram a cargo de dois dos actores mais carismáticos actualmente, Eric Bana e Rachel McAdams.

A primeira cena, equaciona-nos no âmago da história, e no drama da mesma. Henry DeTamble (Eric Bana) vai no banco de trás, enquanto a sua mãe conduz e canta alegremente. Embatem de frente com um camião, o que provoca a morte da mulher, mas Henry sobrevive. Não por sorte, mas sim, pelo seu talento de se fazer desaparecer e transportar para locais aleatórios, imprevisívelmente. Sem qualquer controlo sobre esse seu lado sobrenatural, Henry vive uma vida de solitário misterioso, desaparecendo por momentos, e deixando a sua roupa para trás.


No entanto, Henry vai começar a criar laços afectivos, após conhecer Clare Abshire (Rachel McAdams) O reeencontro torna-se mais constrangedor para Henry, do que para Clare. Clare reconhece-o, e diz-lhe que ele a visitou enquanto criança e adolescente. Henry acaba por a reconhecer também, e com o desenrolar dos tempos, juntos encetam um relacionamento que dá origem a casamento. No entanto, se para Henry a sua actividade paranormal, continua a acontecer sem atenuantes, para Clare o fardo de ver o marido desaparecer subitamente nos momentos mais inoportunos, começa a pesar, e a vontade de ter um filho, gera inúmeros atritos que põem em causa a relação. Para acentuar essa crise, há um momento que indica de que maneira Henry irá morrer, da forma mais crua possível. Ambos acabam por ter uma filha, que como era de esperar, absorve genéticamente a "maldição" (ou dom), do progenitor.


The Time Traveller's Wife, acaba por ser um filme romântico, um relato de um amor atribulado, cheio de agruras, mas com estruturas diferentes do que o género hollywoodesco nos habituou. No papel que dá origem ao título, Rachel McAdams, desempenhou muito bem a sua tarefa de emocionar, e nos fazer acreditar que aquela história impossível fisicamente, estáva a acontecer, e que enquanto esposa, estáva a sofrer bastante. Depois de um papel principal em O Diário da Nossa Paixão, no qual vivia um amor impossível socialmente, mas com uma história possível, aqui "sofre" de novo, mas numa estrutura de enredo completamente distinta. Eric Bana, por sua vez, assume aqui uma vertente pouco vista em si como actor, o de homem que sofre por amor e que é amargurado com a visão do seu próprio destino.


Em suma, The Time Traveller's Wife, insere-se no género de romance, mas devido á sua vertente "fantástica" e irreal, torna-se um romance diferente do que temos vindo a assistir no cinema actual, em que a história não envolve só início, meio e fim, acompanhado de risadas fáceis e peripécias previsíveis. É mais difícil de antever.

PAUS na Fnac do Chiado


Os PAUS estiveram no auditório da Fnac do Chiado para a apresentação de É Uma Água, o seu EP de estreia. Com um interesse crescente em torno da banda, o público aderiu em massa e encheu o espaço como foi possível. Infelizmente, o EP que deveria estar à venda ontem, ainda não se encontrava disponível para venda na loja, o que levou a algumas palavras irónicas por parte de Joaquim Albergaria, que com razão, referiu esse facto. Mas nada que abalasse a actuação da banda, que proporcionou certamente um dos showcases mais poderosos em termos de volume que o auditório da Fnac Chiado já assistiu nos últimos tempos.

É bom? É. Por isso, "É Uma Água" se faz favor.

PAUS @ Fnac Chiado (21-06-2010)



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Os Capitães da Areia na Fnac do Chiado


Os Capitães da Areia são uma das novas bandas a sair da fornada da editora Amor Fúria, e serão sobretudo uma banda de Verão, pois com a sua música pop descontraída, pretendem levar o sol, a praia e o mar por onde quer que passem. Um dia antes do Verão começar, foi isto que se viu no auditório da Fnac do Chiado.
Os cinco Capitães, Pedro ao leme das vozes, Vasco no baixo, Tiago na guitarra, Fred nas teclas e António nos tambores prometem fazer dançar muita gente ao som das suas canções, e porque não? O Verão está aí.

Os Capitães da Areia @ Fnac Chiado (20-06-2010)

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The Doups- Now I'm Going - Videoclip



O videoclip da música "Now I'm Going", dos Setubalenses The Doups, é um misto de insanidade com perplexidade.
No fundo, a fórmula resulta plenamente e é bastante positiva, pois é uma lufada de ar fresco tendo em conta o que os videoclips nacionais nos têm oferecido.
A realização acompanha a insanidade de todo o videoclip, desde a transformação dos membros da banda em mulheres, a um homem a pescar na banheira e a assar sardinhas. Isto é apenas um pouco do que se pode encontrar neste fantástico videoclip, que nos obriga a assistir até ao último segundo. Quanto à música, podemos esperar igual sensação à do videoclip. Não a parte da insanidade, mas sim a da vontade em ouvir até ao último segundo. É mais uma música ao estilo dos The Doups, com uma sonoridade de ficar pelo ouvido e cantarolar por esses banhos fora.

Aqui fica o videoclip:

segunda-feira, 21 de junho de 2010

More Than A Thousand - O Fenómeno



Os More Than A Thousand são, como a maior parte das pessoas deve saber, uma das bandas de topo, senão mesmo a banda de topo, da música Underground Portuguesa.
Digo "Underground", porque a banda não consegue comercializar-se através de rádios nacionais, televisão, ou programas nacionais. Contudo, a definição de "Underground" acaba por não ser correcta para estes rapazes, pois já tocaram em festivais como o Super Bock Super Rock, ou o Rock in Rio, com Rui Veloso como convidado especial.
A definição de "Underground" é actualmente um pouco díspar do que as bandas fazem. Já não existe essa grande diferença, mas os MTAT são isso, os reis do Underground em Portugal.
O núcleo de fãs em Portugal é imenso, estendendo-se desde os amantes do Metal, aos amantes do Indie ou até mesmo do Hip Hop. A razão de tal sucesso prende-se talvez com as explosivas actuações ao vivo, o contacto directo com o público e o enorme talento da banda.
Contudo, creio que há um risco, um aspecto a ter em cuidado, que a banda deve ter em atenção. Falo da identidade da própria banda. É importantissímo não perder essa identidade. Não falo apenas a nível musical, porque aí a banda tem cumprido as expectativas em grande, mas falo sim dos seus membros. É óbvio que não é possível controlar a vida de cada membro, de forma a que estejam sempre ligados à banda, mas é importante que mantenham um contacto directo com o público, e deste modo, não podem estar sempre a "rodar".
Este não tem sido um problema grave dos MTAT, mas deverá ser algo que devem ter em conta.
Este texto vem a propósito do seu novo single e videoclip, "Roadsick".
Além de ser uma música tocante e bastante íntima, o videoclip reflecte também a alma da própria banda, desde momentos pessoais com os amigos, a locais de sempre e da sua amada cidade, Setúbal.
É importante que exista em Portugal um núcleo extenso de apoio a bandas do género, porque os MTAT são muito mais que música, são um grupo unido, que espalha o nome da sua cidade pelo mundo fora, e a alma de Portugal.
Excelente videoclip, excelente música!
Uma das bandas de Portugal dos últimos anos e um dos exemplos claros de boa atitude.
Se a música espelha a alma, então os More Than A Thousand são a alma de Portugal.

sábado, 19 de junho de 2010

ALTO! + Black Bombaim no Santiago Alquimista

O rock de Barcelos desceu à capital e veio-nos mostrar que a vida é boa, divertida, e com algumas doenças venéreas. Podia ser assim a introdução ao som dos ALTO!, que iniciaram ontem a noite de concertos do Santiago Alquimista.
Com um EP para apresentar, Computer Says No, os ALTO! são também uma das bandas com uma faixa no novo cd de Novos Talentos Fnac 2010.
A banda deu um concerto directo, puro e duro (sem conotações sexuais associadas), e fez-se valer pelo seu rock, personificado na energia que todos os elementos empregam em palco, mas principalmente naquele que deverá ser o seu elemento de proa, João Pimenta (voz), que não tem medo de assumir o discurso, ir até ao público, incentivar à festa, pular, dançar, arrastar-se pelo chão, entre um outro monte de coisas. É isto o rock.

A noite prosseguiu com mais uma banda de Barcelos, os Black Bombaim. Para além da proveniência, estas duas bandas partilham também alguns dos seus elementos, poderia dizer-se que saiem 3 elementos dos ALTO!, entra uma nova pessoa para o baixo, e temos os Black Bombaim, assim, para além de Ricardo Miranda na guitarra e de Paulo Senra na bateria, junta-se a eles no baixo, Tojo.
E engane-se quem pensar que uma banda com três elementos não é capaz de fazer barulho, o stoner rock desta banda é capaz de abalar estruturas, e, naquilo que pareceu uma única música com alguns interlúdios pelo meio, de facto cumpriu. O som sai coeso, tudo encaixa entre si, e sem tempo para palmas, respirar, ou tirar os olhos do palco, os Black Bombaim mostram-nos que merecem um destaque no panorama musical português, e mais além quem sabe, tal como os ALTO! já nos tinham mostrado antes.

O rock em Barcelos está vivo, e recomenda-se.

Alto! @ Santiago Alquimista (18-06-2010)



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Black Bombaim @ Santiago Alquimista (18-06-2010)



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sexta-feira, 18 de junho de 2010

Tenshi no Tamago de Mamoru Oshii



Num mundo pós-apocalíptico com estranhas e gigantescas máquinas, numa cidade pesqueira habitada pelos espectros dos pescadores vive uma jovem rapariga que guarda e cuida religiosamente um misterioso ovo. Certo dia um desconhecido chega à cidade e imediatamente faz-se conhecer pela jovem deixando incógnitos quais os motivos que o trouxeram e que o levam a seguir a rapariga eventualmente conquistando a sua confiança.
O que contêm o estranho ovo e quais os motivos do recém-chegado? A estas perguntas nunca nos são dadas respostas conclusivas.

Tenshi no Tamago, ou Angel's Egg, de 1985 tem como inspiração o Antigo e Novo Testamento e em particular a Arca de Noé. Apenas dois personagens sem qualquer tipo de background situadas num universo que não nos oferece nenhum tipo de contextualizaçao e várias alusões biblicas. O personagem masculino apresenta-se transportando às costas uma cruz e as suas mãos estão envoltas em ligaduras numa clara alusão às chagas de Cristo. A jovem de longos cabelos loiros representa a inocência e, através da sua interacção com o outro personagem, a perda da mesma. A interpretação do filme cabe a quem o vir e é complicado fazer uma sinopse que não seja tendenciosa e certamente as elações que retirarem reflectiram a vossa própria visão da religião.

O seu ambiente sombrio e a sua narrativa lenta captam a atenção do espectador para os pequenos detalhes e para as inúmeras mensagens subliminares e simbolismos. Tenshi no Tamago é um filme difícil, não será para qualquer estado de espírito, e recomenda-se uma segunda visualização para verdadeiramente ser apreciado pois a sua apreensão pode ser complicada. No entanto é isso que o torna fascinante, a sua provocação intelectual a faculdade de nos obrigar a olhar para lá do imediatamente perceptível, para os pormenores e entrelinhas.

A animação é lindíssima e a banda sonora é algo de fantástico no seu desespero épico, os diálogos esses foram inteligentemente postos de lado reduzindo-os ao mínimo indispensável. Uma obra fantástica e revolucionária na historia do anime Tenshi no Tamago é talvez a melhor obra de animação e ficção científica de que nunca ouviram falar. Resolvido.




"Se tens um coração de ferro, bom proveito.
O meu, fizeram-no de carne, e sangra todo dia."


José Saramago
(Azinhaga, Golegã, 16 de Novembro de 1922 - Lanzarote, 18 de Junho de 2010)

O Rapaz Que Chutava Porcos - Tom Baker




Autor: Tom Baker
Titulo original: The Boy Who Kicked Pigs
Ilustrações: David Roberts
Tradução: Fernando Dias Antunes
Capa: Fernando Mateus
País de origem: Reino Unido
Editora: Editorial Teorema


Um livro de crianças para adultos, uma obra divertida do grotesco, um pequeno arte-facto que vale a pena conhecer.

"O Rapaz Que Chutava Porcos " é a história de um rapazinho de 13 anos com uma mente distorcida, uma imaginação insaciável ,com um estranho fascínio pelo macabro e que retira prazer, sobretudo, do mal alheio.

Aos 13 anos num domingo solarengo, um dia fantástico para se ser jovem Robert vai morrer, ele ainda não sabe, mas vai morrer. É assim que o autor dá o mote para que o leitor se agarre e devore as páginas seguintes. Numa escrita inteligente cheia de humor negro e toques de graça preciosos são nos contadas as aventuras e desventuras do nosso "herói" sempre num tom de normalidade e boa disposição a contrastar com o absurdo e gravoso das situações que descreve.

O autor adverte e dirige-se directamente ao leitor: esta leitura não é para todos, se gostarem algo não está bem convosco -desde quando é a normalidade uma coisa boa? - se não gostarem parabéns , decerto vossos pais estarão orgulhosos.

O livro segue os moldes de um qualquer livro para crianças, linguagem acessível,uma história curta com uma moral e ilustrações. A história é nos contada através dos olhos de uma criança maliciosa cheia de si mesma e é uma tirada cómica e inteligente a uma sociedade que se finge perfeita e recta e Robert não é mais do que a sua sincera imagem espelhada.

"O Rapaz Que Chutava Porcos" é um livro infantil que nenhuma criança deve ler sob perigo de danos irreversíveis, mas uma leitura hilariante e imperdível para os mais crescidos.


quarta-feira, 16 de junho de 2010

A cozinha da alma nem sempre é de aço inoxidável





Soul Kitchen
Fatih Akin, 2009



Ao olharmos para o título, ou para o cartaz promocional do filme, e vermos um título de uma música de um album de 1967, e um actor principal com semelhanças físicas a Jim Morrison, poderemos ser levados a pensar, á priori, que a película se trata de um elogio aos Doors. Errado, nada de Doors, nem um cheirinho da dita música. Mas tem a ver com uma cozinha. E com as peripécias da alma. Tudo em formato comédia.



A trama desenrola-se á volta do grego Zinos (Adam Bousdoukos), proprietário de uma espécie de armazém transformado em tasca sem quaisquer tipo de condições minimamente toleráveis para a Inspecção Geral do Trabalho, num subúrbio de Hamburgo, denominado Soul Kitchen. Desde ponto de partida, há uma série de situações atribuladas, andando o futuro do restaurante de mão em mão. Zinos na fase inicial mal consegue cozinhar. É então ajudado pelo chef Shayn (Birol Ünel) que lhe ensina a arte do gourmet. O restaurante vai atraíndo clientela, mesmo não sendo de todo o típico restaurante chique de gourmet, e Zinos vai facturando cada vez mais.

Enquanto isso, a namorada parte para Xangai por uns tempos, mas retorna com um novo namorado. Entretanto, vê-se a braços com os deslizes do irmão, saído da prisão, que lhe pede para falsear um contrato de trabalho no seu restaurante. Descobre também que tem uma hérnia, conferindo-lhe um novo cambalear, o que torna a sua personagem ainda mais cómica.



Não há um grande motivo como figura de proa da história. Quanto muito, há o sonho do protagonista em fazer por manter o seu restaurante. Este filme de Fatih Akin, não pretende ser um filme de culto, nem um filme marcante. Claramente o conceito aqui é entreter, provocar o riso. E por ser tão acessível e despreocupado em termos de enredo, consegue isso na perfeição.

The Indigo na Fnac do Chiado


Os The Indigo estiveram presentes na Fnac do Chiado para um showcase onde mostraram alguns temas dos seus dois EP's já editados e também de um terceiro que está para sair em breve.
Com Hugo "Dekoh" e Miguel "Kareca" a dividir as vozes, Luiz Arantes e Tiago Coelho nas guitarras, Tiago Simão no baixo e Monty na bateria, os The Indigo mostraram o seu "Positive Rock" e fizeram questão de tentar puxar ao máximo pelo público presente no auditório da Fnac.

The Indigo @ Fnac Chiado (15-06-2010)



Setlist:
1. The Same Song
2. Passe-Partout
3. Some Lame Excuse
4. Appendix
5. Pergunta
6. Psycho Killer
7. Já sei

Para conhecer melhor a banda é aqui:
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As ruínas da transformação temporal




24 City
Jia Zanghe-ke, 2008


Um retrato social e temporal de uma China em célere evolução será aquilo a que se poderá sintetizar este documentário de Jia Zanghe-ke. O pano de fundo recai na cidade de Chengdu, que durante décadas albergou uma fábrica de munições e motores para a Força Aérea chinesa. Vários testemunhos reais que se interpelam, culminando na demolição total do espaço onde essas histórias se desenvolveram, em diferentes espaços cronológicos.

Essas ruínas, imbuídas de memórias, que nos são trazidas pela mão de três gerações diferentes, servirão para a evolução económica da cidade, erigindo, aí, um complexo habitacional moderno e hotéis portentosos: a Cidade 24.






Jia não pretende facultar visões políticas. O realizador pretende mostrar o lado humano, o lado do coração, e as emoções vigentes nas recordações de quem passou pela fábrica, e também dos descendentes vindouros que subjacentemente foram afectados, o impacto que o avançar do interesse ecomómico tem numa cultura, numa família e numa vida. Jia é um cronista visual da China galopante no espaço evolutivo. Ao longo dos anos, Jia vem mostrando os passos de um país em constante revolução interna. Desde "Still Life" ou "Plataforma", os trabalhos mais marcantes do cineasta.

Um país com um forte traço capitalista, mas ainda em choque com um comunismo disfarçado. É isto, a Cidade 24. China pós-revolução, com acompanhamento sonoro de músicas Pop, ganhando estas outra dimensão quando adjacentes a passagens de memória, e aos poemas intercalantes do irlandês W. B. Yeats, carregados de um simbolismo protuberante.



domingo, 13 de junho de 2010

The Chick No Sticks na Fnac Vasco da Gama


Os The Chick No Sticks, compostos por Guilherme Romão (voz e guitarra), João David Gonçalves (guitarra), João Mariano (baixo) e Diogo Botelho (bateria), são mais uma das bandas presentes na compilação dos Novos Talentos Fnac 2010 e apresentaram-se em noite de Santos Populares no auditório da Fnac do Vasco da Gama em Lisboa.
A faixa escolhida para integrar esta compilação intitula-se Too Many Names e pode ser escutada no myspace da banda.

The Chick No Sticks @ Fnac Vasco da Gama (12-06-2010)



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sexta-feira, 11 de junho de 2010

How to Destroy Angels [2]



O novo projecto de Trent Reznor , "How to Destroy Angels" é um misto de escuridão e desespero, contrastando do subconsciente de Reznor, com a voz angelical de Mariqueen Maandig, que nos remete em todo o EP para um confronto entre luz/escuridão.
Contudo, a escuridão reina em todas as faixas, sendo o tema principal.
Este EP pode classificar-se como um misto de experimentalismo, electronica e ambiente. Porém, as faixas diferem bastante umas das outras, apesar de todas se apoiarem na escuridão como temática profunda.
A ideia fundamental do EP é simples, uma mistura imensa de sons, completados com a voz de Mariqueen, e por vezes Reznor. Não é um projecto muito diferente do que temos ouvido em Nine Inch Nails, mas é mais sombrio. Reznor continua a fundir sons de forma quase natural, como tão bem ele sabe fazer. E mais uma vez, acaba tudo por se conjugar na perfeição. Reznor brinca aos pesadelos, constrói fábulas negras e consegue materializar todas as suas ideias e fantasias em música.
Um misto de pequena loucura, convertido em genialidade!

quinta-feira, 10 de junho de 2010

How To Destroy Angels



How to Destroy Angels é o mais recente projecto do músico Trent Reznor. A ele, junta-se a voz da sua mulher, Mariqueen Mandig e Atticus Ross.

O EP é, sem dúvida, uma boa surpresa, que vale a pena ouvir várias vezes para que todos os pormenores sejam assimilados. O ambiente dark criado, que tanto faz lembrar Nine Inch Nails, contrasta com a voz melodiosa de Mariqueen, criando este conjunto de seis músicas que abrem o apetite para o album que há de vir. Para vos despertar curiosidade, deixo o videoclip do single, The Space In Between, que está bastante bem conseguido.

O EP está disponível para download gratuito no site da banda: http://www.howtodestroyangels.com/store/

Bypass no MusicBox


Os Bypass estiveram em véspera de feriado no MusicBox para apresentar o seu novo disco, Like Mice And Heroes. Depois de uma pequena amostra em formato EP lançado pela Optimus Discos, este é então o retorno dos Bypass aos longa duração. Esta data foi também aproveitada para mostrar o novo vídeoclip da banda, a canção escolhida é God Knows You've Got Me Hanging.

Bypass @ MusicBox (09-06-2010)



Setlist:
1. We Strike Like Mice And Heroes
2. Selling Hearts
3. God Knows You`ve Got me Hanging
4. Flags & Armours
5. Hey Alien! Come, Alien
6. Gold Figures
7. Flutisch
8. Something to Burn
9. I'm On It
10. Tobogan
11. Ban
12. Tormlog
13. Bears Are Closer
14. Slow Fock
15. Ashford

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quarta-feira, 9 de junho de 2010

A Passage to India, de David Lean




David Lean é um dos melhores e mais prestigiados realizadores de sempre. O inglês criou obras
cinematográficas como "Lawrece of Arabia", "Ryan's Daughter", "Doctor Zhivago", "Oliver Twist" e "The brigde over the river Kwai". Qualquer um destes filmes vigora indiscutivelmente numa lista de melhores filmes de sempre, sendo obras incontornaveis, que tornaram o cinema em algo muito mais belo e enriquecido.
" A Passage to India" (1984) é o último filme da carreira de Lean, e também ele um marco do cinema.
É um filme que retrata a cultura indiana e o domínio britânico, em meados do fim do século XIX.
Como tal, é um filme que retrata um imenso conflito cultural, social e humano, que teve repercussões até aos dias de hoje, nomeadamente sobre o nome de "colonialismo".
Como em todos os filmes do Lean, há uma vertente histórica e cultural, que aborda a génese e natureza própria do local onde se passa a acção. Sendo neste caso a Índia, não é de estranhar que Lean se tenha preocupado por mostrar sem qualquer máscara a sua civilização e costumes tradicionais.
Assente em toda esta base histórica, sólida e bem retratada no filme, está uma história que se pauta por duas partes.
Na primeira parte assistimos à referida mostra de civilização, ao fundamentar de personagens consistentes e profundamente dramáticos, como se nos tivessem seguido toda a vida.
A história, em si, não a vou contar, acho que é muito mais belo ver o filme na integra, do que estar aqui a relatar uma qualquer sinopse, encontrada facilmente em qualquer site. Não creio que seja aí que resida a verdadeira essência de uma crítica cinematográfica.
A segunda parte do filme é quase indissociável da primeira, não a nível argumentativo, mas a nível espiritual e de objectivos. Existe uma metamorfose de vários personagens, que alteram a narrativa para algo completamente inesperado, mas bastante interessante.
Os actores, esses, são fantásticos, criando personagens envolventes e apaixonantes, apenas com a simplicidade de um olhar ou gesto. De destacar a fantástica Judy Davis, num papel cheio de presença; Victor Banerjee, um desconhecido de muitos, mas que interpreta aqui um "Aziz" tão próprio; Alec Guinness, que interpreta um indiano ligado ao misticismo! ; James Fox e Peggy Ashcroft.



Este é um filme que fala de justiça, a nível humano e judicial, e da forma como a Índia tem sofrido com a repressão Britânica.
A nível técnico, assistimos a uma perfeição exemplar, sinónimo da carreira de David Lean. Uma fotografia tão ao seu jeito, com uma realização cuidada e certa.
"A Passage to India" não é um filme de aventuras, é uma obra histórica, profunda e com imenso detalhe argumentativo, principalmente a nível de personagens e de retrato geral dos locais.
É assim, um filme imenso, que não deve ser mal interpretado.
David Lean deixa-nos como última obra um filme capaz de nos fazer entender toda a sua filmografia.
Um eterno Génio!