quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Top 10 de 2010, por Vanessa Augusto


Fazer um top torna-se sempre complicado, como aliás, muitos de nós verificámos.
Por isso, muito do bom que se fez teve de ficar de fora. O que defini como o meu top não foi necessariamente tudo aquilo que considerei excelente ao longo de 2010 e que merece uma crítica, mas acima de tudo, muito daquilo que a nível pessoal, se tornou importante pelos mais diversos motivos.
Foi isso que tentei fazer aqui. Dar-vos um pouco da minha visão sobre alguns acontecimentos culturais deste ano que está a acabar. Dar-vos, essencialmente, um pouco de mim também. Votos de um óptimo 2011 para todos.


10) The Shoes @ Super Bock em Stock

Estão a começar ao seu ritmo, mas em Portugal, os The Shoes já conquistaram muitos. O concerto dos The Shoes foi provavelmente o que mais me surpreendeu ao longo dos dois dias de festival do Super Bock em Stock. A música fica ali entre a electrónica e o pop francês, o som é intenso, sente-se cada nota tocada. Foram a grande revelação desta edição do festival, enchendo o cinema São Jorge, agarrando o público e fazendo-o tremer, com o ritmo incrível da percussão.

9) "Imagens Proibidas" por Pedro Paixão

Imagens Proibidas é o mais recente livro de Pedro Paixão. Saiu no Verão e o seu lançamento foi acompanhado da inauguração de uma exposição fotográfica com o mesmo nome, e do mesmo autor – Pedro Paixão, exposição essa que faz também parte do livro, sendo também peça fundamental no desenrolar da obra. Este não é um livro convencional, como Pedro Paixão bem tem treinado os seus leitores. É, acima de tudo, metafórico, impecavelmente escrito. Em Imagens Proibidas não há estereótipos, a loucura é vista como comum e o inesperado é a rotina. E ainda bem. Este é um livro que retrata alguns dias de um homem que está à procura de si, de duas mulheres que não têm nome e de um apartamento que se transforma em prisão. Imagens Proibidas é a fantasia e a realidade confundidas; quando o amor está muito longe.

8) Linda Martini - Casa Ocupada

Confesso que gostava (apenas) de Linda Martini, Pelo menos sabia que ainda não era fã. Casa Ocupada foi o álbum que mudou a minha visão relativa aos Linda Martini e assim, passei ouvir mais e melhor. Linda Martini soa somente a Linda Martini e acho que finalmente os senti. Foi preciso assistir a dois concertos para entender isso. E era esse o ingrediente que faltava. Lá houve qualquer coisa que me apanhou, e de que forma, criando em mim a necessidade de ouvir este álbum em repeat durante muitos dias.

7) Isobel Campbell & Mark Lanegan - Hawk

Hawk é o terceiro trabalho que nasceu da brilhante colaboração entre Isobel Campbell e Mark Lanegan. A ela, conhecemo-la dos Belle & Sebastian, a ele, dos Screaming Trees e pelas colaborações com os Queens of The Stone Age. Isobel Campbell dá-nos a doçura, a calma e a melancolia; Mark Lanegan equilibra, trazendo-nos a rudeza necessária. O resultado é sublime, natural, associado à perfeição. Em Hawk podemos também ouvir também a guitarra de James Lha em "You Won't let Me Down Again" e ainda duas versões de Townes Van Zandt.


6) Broken Bells – Broken Bells

Broken Bells é o nome do álbum do projecto homónimo de James Mercer (The Shins) e Brian Burton (Danger Mouse). Descobri-os acidentalmente, mas apareceram na altura certa. Mais do que rock independente, os Broken Bells revelaram-se como algo novo, fresco e despretensioso. Com Brian Burton na bateria e James Mercer a dar à voz uma nova forma daquilo a que nos habituamos com os The Shins, os Broken Bells vão certamente afirmar-se ao longo deste novo ano. Um projecto que merece ser ouvido e apreciado na sua plenitude.

5) Deerhunter – Halcyon Digest

É considerado um dos melhores álbuns de 2010 e merece-o inteiramente. Halcyon Digest representa não só um passo naquilo que são e foram os Deerhunter, como afirma com intensidade tanto novas letras como novas sonoridades, mas sem nos fazer esquecer nunca aquilo que é o registo próprio dos Deerhunter. Halcyon Digest é ar fresco e sangue novo. Bradford Cox leva-nos através deste álbum, para o mundo do rock dos anos 80, não nos querendo fazer sair.

4) «Copie Conforme» de Abbas Kiarostami

Copie Conforme (Cópia Certificada) é o mais recente filme do cinesta iraniano Abbas Kiarostami. Enraizado na sua própria cultura e tradição, Copie Conforme acontece em Itália, no cenário perfeito do sul da Toscânia, onde Juliette Binoche (melhor actriz Festival de Cannes) e William Shimmel dão vida às personagens. Estreado no último festival de Cannes, o filme relata o encontro parcialmente acidental, mas inevitável, entre um homem inglês – escritor e crítico de arte e uma francesa, proprietária de uma galeria de arte. O resultado é uma espécie de deambulação sobre os enigmas das relações humanas, tendo por horizonte uma ideia utópica de felicidade e plenitude. Copie Conforme revela-se um verdadeiro conto moral, onde muito é dito em pouco tempo.


3) Interpol @ Campo Pequeno

Foi uma luta entre os concertos de Interpol e de Klaxons para o segundo lugar deste top. Interpol é também merecedor de um segundo lugar e provavelmente teria-o, não fosse o meu amor eterno pelos Klaxons e a vontade de ter ouvido mais de Turn On The Bright Lights este ano no Campo Pequeno. Ainda assim, Interpol foi outro objectivo atingido em 2010. O álbum homónimo lançado em Setembro foi apresentado em grande, faltando no entanto algum regresso ao passado. Sentiu-se a falta de Evil, mas os temas Obstacle 1, Narc e Stella Was A Diver And She Was Always Down, ajudaram a esquecer a lacuna, quando entoados em plenos pulmões.

2) Klaxons @ Paredes de Coura

Foram o meu grande motivo para viajar até paredes de Coura. Ver Klaxons foi um plano que ficou adiado em 2009, mas inteiramente compensado este ano em Paredes de Coura. Combinados com o óptimo ambiente do festival e associados à excelente companhia, fizeram-me feliz. Apresentaram Surfing The Void, o mais recente álbum (na altura ainda por lançar) e tocaram muito do Myths Of The Near Future, iguais a si próprios, impecáveis.

1) Programa de rádio H2.zero, Rádio Zero

Culturalmente trouxe-me muito. A cada semana, a cada hora, uma nova letra foi explorada e com isso, novos temas, bandas, filmes e livros eram explorados também. Foi a prova falada de que a cultura é, felizmente, vitalícia e intemporal. O H2.zero esteve no ar durante um ano na Rádio zero, tendo tido o seu final em Outubro de 2010. Para além do desenvolvimento cultural, foi um programa que me trouxe óptimos momentos, muito boa disposição e um carinho enorme por estúdios de rádio. Produzido e realizado inteiramente por mim e pela Lígia Gonçalves, a melhor companhia possível


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