quinta-feira, 17 de março de 2011

Crítica à Moda Lisboa


Porque é que há mais convites que lugares para sentar convidados?

Se se parte do princípio que metade das pessoas que recebem convites para a Moda Lisboa não vão comparecer no evento então não percebo como é que ainda assim há “salas lotadas” e convidados que ficam a porta com cara de parvos sem conseguirem ver as criações dos seus estilistas preferidos.


Porque é que um convidado que chega a porta da sala do desfile e lhe dizem que não pode entrar porque a sala já excedeu o limite de pessoas recomendado não tem direito a uma compensação?

No mínimo, uma pessoa que não consegue assistir ao desfile para o qual tem convite devia poder trocar o seu convite por um convite para outro desfile, e só ficava bem à organização disponibilizar mais que um e desfazer-se em desculpas, uma vez que estas falhas são culpa da má organização do evento e não são de maneira nenhuma os convidados que têm que sofrer as consequências de um trabalho mal organizado, como é óbvio.


Porque é que os convidados chamados VIP, que são na maioria das vezes elementos do jet7, têm direito a entrar antes de todos os ansiosos convidados não-VIP e não-jet7 que estão por vezes uma hora de pé na fila para entrar na sala e conseguir um lugar de onde tenham um bom ângulo de visão?

Que a imprensa entre primeiro eu compreendo, visto que precisa de ficar na fila da frente para ver detalhadamente as peças sobre as quais depois terá de escrever e para conseguir as melhores fotografias. Tal como os verdadeiros convidados VIP que se movem e trabalham no meio da moda.
O que eu não compreendo é que pessoas do jet7 entrem primeiro que os restantes convidados. Atenção que o meu maior problema já nem é que passem a frente das dezenas de pessoas que ficam imenso tempo de pé na fila, apesar de achar esta situação triste; o meu principal problema é que estas “pessoas do jet7” se sentem nos melhores lugares, depois de terem passado à frente de dezenas de pessoas, e tenham o descaramento de passar o desfile inteiro na conversa com o parceiro do lado ou a mexer no telemóvel sem sequer se dignarem a olhar para as criações que estão na passerelle.


Porque é que Portugal se deixa ficar para trás neste meio quando tem todas as possibilidades de vingar?

A má organização da Moda Lisboa é lamentável. Como é que a organização do evento tem o descaramento de dizer a convidados internacionais “Olhem, não temos jantar para vocês. Mas tomem umas senhas de refeição entre 2 e 5 euros para irem comer qualquer coisa lá abaixo.”?!
Primeiro: o que é que se janta entre 2 e 5 euros na Moda Lisboa? Segundo: que raio de anfitrião (neste caso o nosso país) recebe assim os seus convidados? Terceiro: será que alguém pensa no mau aspecto que isto passa para os outros países, ainda por cima quando os convidados internacionais em questão já fizeram parte das grandes fashion weeks onde estes lapsos não ocorrem?

Como se não chegasse este desastre, alguns estilistas não me surpreenderam com as suas  colecções aborrecidas e repetitivas…Onde se escondeu a criatividade magnífica dos nossos estilistas? Está adormecida, está a guardar-se para a próxima estação ou simplesmente desapareceu?

Claro que houve colecções muito boas a desfilar na passerelle. Por exemplo Nuno Gama, Luís Buchinho, Filipe Faísca, Alves/Gonçalves…foram estilistas que marcaram tendências, que inovaram, que têm verdadeiro talento! E são as colecções destes que aparecem no programa da SIC Mulher que dá à hora do jantar, passando ao espectador comum a imagem de um evento super bem organizado e recheado de arte em forma de roupa. Mas não é o programa da SIC Mulher que viaja pela Internet para qualquer parte do mundo, não é a opinião dos entrevistados e entrevistadores da SIC Mulher que vai circular nos blogs de moda internacionais que são escritos por pessoas que assistiram a todo um evento mal organizado e que assistiram a desfiles não tão bons como os que aparecem na TV.

Acho que Portugal tinha hipótese de arrasar na Moda Lisboa. A moda esta cada vez mais presente no nosso dia-a-dia, é cada vez uma indústria maior e mais competitiva e temos muito bons estilistas. Este evento era uma óptima oportunidade para mostrarmos o que valemos! Mas, infelizmente, mais uma vez as organizações “à portuguesa” desperdiçaram uma oportunidade fantástica.

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