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sábado, 11 de dezembro de 2010

BALLA no LUX

Armando Teixeira é já uma figura que dispensa apresentações no panorama musical português, seja pelo seu trabalho como produtor, seja pela sua participação em várias bandas em diversos registos de som. Quando assentou num projecto a solo, surgiram estes BALLA, corria o ano 2000, e desde então o seu percurso tem sido mais constante e sustentado, e é já no final de 2010 que surge o quarto álbum deste projecto, Equilíbrio teve honras de apresentação ao vivo pela primeira vez no país no LUX, em Lisboa, para uma casa bem composta e ávida de fãs desejosos de ver a actuação do músico.

Numa primeira parte surpresa, actuou Miguel Nicolau, guitarrista que acompanha os BALLA ao vivo, com o seu primeiro projecto a solo, Memória de Peixe. A premissa é simples, apenas o som da guitarra, em músicas com várias camadas de som, e que acabam por resultar em melodias interessantes. Foi um set curtinho, até porque parece ser um projecto recente, mas serviu o propósito e despertou o interesse do público, que certamente ficará atento à evolução deste projecto.

Memória de Peixe @ LUX (10-12-2010)


Por volta das 23h, os BALLA sobem então ao palco para a primeira grande ovação da noite, e é logo com o primeiro single deste novo álbum que arrancam com o concerto. Montra serve de mote para o que viria a ser o concerto, Armando Teixeira continua igual a si próprio, e com a sua postura sempre a aparentar uma certa tranquilidade (já são muitos anos disto) assenta a setlist principalmente nos temas de Equilíbrio, no entanto, e para felicidade de muitos, não faltaram também algumas músicas do álbum anterior, A Grande Mentira, nomeadamente os muito conhecidos Fim da Luta e Outro Futuro, entoados em uníssono com o público.

Como anunciado, este concerto de apresentação de Equilíbrio no LUX teve a participação de dois dos convidados que igualmente participam no álbum. O primeiro convidado a subir ao palco a convite de Armando Teixeira foi Liliana Correia, voz dos Bullet, que interpretou 3 temas com a banda, o primeiro dos quais foi Ao Deus Dará, com a letra de Miguel Esteves Cardoso.

Antes do segundo convidado entrar em cena, houve tempo para Lixo, mais um tema de Equilíbrio e cuja a letra é da autoria de Pedro Mexia, talvez por isso tenha sido mais complicado a interpretação ao vivo da música, "espero não me enganar", dizia-nos Armando Teixeira antes de iniciar o tema, e a verdade é que acabou por acontecer, nada que manchasse a actuação no entanto, numa altura em que o público acabou por incentivar o intérprete, que apoiado numa cábula colada na coluna acabou por completar a canção sem mais sobressaltos.

A partir daqui foi a crescer até ao término do espectáculo, Samuel Úria, o segundo convidado da noite entrou em palco, e contrastou com a personalidade mais introvertida de Armando Teixeira para abrilhantar um bocado mais a noite. Num estilo muito Pee Wee Herman, com as suas danças e expressões faciais, Úria interpretou com Armando os temas Fim da Luta e Equilíbrio, faixas que encerraram o concerto antes do encore.

E foi precisamente já no encore, e depois da já comentada e muito aplaudida Outro Futuro, que os BALLA interpretam de novo Montra, desta vez já acompanhados pelos cânticos do público e também de Samuel Úria que acabou por subir mais uma vez ao palco para um momento que não estava previsto, mas que acabou por encerrar em festa este concerto.

Balla @ LUX (10-12-2010)



Setlist:
1. Montra
2. Queda
3. Tudo
4. Misteriosa Velocidade
5. Saltei de Mim
6. Ao Deus Dará
7. Fogo Exemplar
8. Tempestade
9. Lixo
10. Fim da Luta
11. Equilíbrio

Encore:
12. Outro Futuro
13. Montra

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

BALLA apresentam "Equilíbrio"

BALLA apresentam "Equilíbrio", o novo álbum
com convidados especiais
10 Dezembro :: LUX :: 22h00
Bilhetes 10€


"Reconhecido e respeitado como um dos mais prolíficos produtores nacionais da actualidade, Armando Teixeira regressa em 2010 às edições discográficas com o projecto BALLA, um dos seus mais aclamados alter egos.

"Equilíbrio" é o título deste quarto registo de originais e reúne um naipe muito especial de convidados: músicos como Luís Varatojo, Samuel Úria e Liliana Correia (Bullet), entre outros, e letras, algumas da sua autoria e outras criadas por alguns dos maiores poetas e escritores da actualidade. É o caso de José Luís Peixoto com "À noite em Creta" e "Estranhos"; Pedro Mexia, que aqui se estreia na escrita de canções com o tema "Lixo" e o ansiado regresso de Miguel Esteves Cardoso com "Ao Deus Dará". Estes são alguns dos ingredientes que fazem de "Equilíbrio" um sério candidato a um dos melhores discos Pop de 2010.

O espectáculo de apresentação de "Equilíbrio" em Lisboa decorre a 10 de Dezembro às 22h00 no LUX, com convidados especiais como Samuel Úria e Liliana Correia."

sábado, 30 de outubro de 2010

Linda Martini @ Lux Frágil (Fotos)












Linda Martini no Lux - Lançamento do álbum "Casa Ocupada"

O Lux encheu pelas costuras para receber aquela que é actualmente uma das bandas nacionais de topo. A nível de música cantada em português temos talvez aqui o maior sucesso dos últimos anos, acompanhado com uma evolução primorosa e de imensa qualidade. Falo claro está, dos Linda Martini.
Antes do concerto propriamente dito, as filas de entrada davam uma volta gigantesca, apresentando-nos um mar de gente ansiosa pelo regresso de uma das bandas mais acarinhadas pelo público português. Prova desse amor, foi a lotação mais que esgotada e inventada, a imensa salva de palmas presente em todas as músicas e os hinos musicais, tão decorados quanto um fanático religioso em amor pelo seu livro sagrado. Os Linda Martini são isso mesmo, um movimento amoroso reciproco entre fãs que teimam em aumentar, e uma banda pronta para os receber, através da simpatia e interacção daquele que é possivelmente na actualidade o melhor baterista português, Hélio Morais; e os também extremamente talentosos e simpáticos André Henriques (vocalista e guitarrista), Pedro Geraldes (guitarrista) e Cláudia Guerreiro (baixista). Juntos formam uma unidade musical sem igual, que ao vivo se transforma numa guerra espiritual, criando algo paralelo à nossa realidade. Sem me querer perder muito em metáforas ou analogias, o concerto de Linda Martini no Lux foi, resumidamente, uma entrada num outro universo, no universo da banda, que nos conseguiu transpor para algo perfeito a nível musical e emocional.
Para começar não podiam ter escolhido melhor, "Nós os outros", faixa integrante do álbum de apresentação deste concerto, "Casa Ocupada", encheu o espaço e aqueceu o público, com um Hélio furioso na bateria, cegamente electrizante, e os restantes membros a acompanharem-no em imensa sintonia. "Mulher-a-dias" é o 2º single deste álbum e foi também a segunda música tocada. Tanto foi o empenho da banda que quase que os víamos a correr tal como no videoclip. Energia do melhor ao vivo, fazendo-nos querer ficar nesta música por muito mais tempo do que o que ela dura! "Amigos mortais" foi a confirmação da excelência do novo álbum, e mais importante, que apesar do "rock mais directo", os Linda Martini continuam no caminho da qualidade, da enorme qualidade. A transição para músicas um pouco mais curtas e directas foi perfeita, e a sonoridade-mãe está cá toda presente. Para os fãs da banda as novas músicas sabem a uma continuação perfeita do que é uma evolução natural das coisas. Para os novos fãs, é uma oportunidade de conhecer o lado mais directo dos Linda Martini, podendo depois desenvolver-se uma imensa paixão.
Parar para olhar com calma a banda é uma acção que vale mesmo a pena. Hélio Morais "esmurraça a bateria" como se fosse o seu pior inimigo, numa energia vinda de outro lado do universo. Cláudia Guerreiro entra em êxtase em cada música e afigura-se como um elemento fulcral, de extrema ligação entre todos os membros da banda. Pedro Geraldes, elevando a sua guitarra no ar, alterna entre um ar mais calmo e a loucura do rock, e finalmente André Henriques canta-nos com alma, a sua, a da banda, de todos nós, cumprindo com distinção a sua tarefa na guitarra, e sorrindo ocasionalmente, como se estivesse a tocar no céu.
"Partir para ficar" foi a primeira "prenda" oferecida pela banda. E que bem que foi recebida! Hélio e Cláudia ( porta vozes da banda neste concerto) interagiam com o público entre cada tema, fazendo agradecimentos e atendendo ao bom humor. "Partir para ficar" foi uma prenda perfeita e o público respondeu com energia, quase tanta quanto a que a banda deixava em palco.
À quinta música chegamos à maior "surpresa" das novas músicas. "Elevador" é um conjunto de sentimentos electrizantes, dando ao público a sensação de que os Linda Martini cresceram imenso e conseguiram fazer o que é muito raro numa banda deste tipo, dar um salto perfeito entre os seus sons próprios (música underground), para algo mais "directo", algo que agrade a quem não conhece a banda. A transição foi perfeita e este "Elevador" expressa tudo num curto espaço de tempo. Entretanto, a banda dá tudo o que tem e mostra-nos porque é considerada uma das melhores da actualidade. Ninguém deixa tanto em palco quanto eles, ninguém canta com tanta alma, com tanto sentido, com tanta genuinidade.
"Amor combate" é um regresso às origens e à ligação com os fãs de sempre. Eles agradecem e retribuem, com muitas palmas, com coros, com saltos e empurrões. O público começa a ficar mais eléctrico.
"S de Jéssica" é um registo um pouco mais calmo, mas que tem todas as características da banda. O seu som é bastante reconhecível, e apesar do novo álbum ter faixas mais curtas do que é costume para a banda, está lá tudo.
"Juventude Sónica", em claro tributo aos "Sonic Youth", é o regresso ao bom rock, à criação de novos sons, de novas energias. A ligação com o público prende-se cada vez mais e é já notória a evolução da banda. "Ameaça menor" faz a ponte para aquela que é uma das melhores músicas da banda, "Cronófago". A loucura instala-se e o público aumenta a sua garra, interligando-se com o palco, com os músicos. "Este mar" origina um novo sentido de ligação, novo amor entre a banda e o público. "Queluz menos luz" é uma referência óbvia as origens da banda e é recebida com aplausos. A grandiosidade desta música leva-nos a que "Belarmino" alcance o apogeu. Estamos perante uma banda única, que aposta num som forte e cheio de energia, através do que cada elemento tem para dar, formando um todo coeso e tão talentoso. As novas músicas surgem como lufadas de ar fresco, como uma necessidade de continuidade por parte da banda e uma necessidade de continuidade pelos fãs. Sempre ao seu jeito, os quatro elementos vão cruzando emoções entre si, mostrando porque mandam em palco.
"Cem metros sereia" termina com um palco inundado de amigos da banda, a cantarem ao microfone. A emoção da letra, cruzada com as pessoas em palco torna o momento algo único e demasiado tocante. Os Linda Martini são isso mesmo, um ponto de união entre as pessoas e a criação de letras simples mas com um significado bastante profundo. Com as novas músicas assistimos a uma evolução que supera em tudo as expectativas. Com este álbum os Linda Martini vão certamente atingir um topo maior, se é que já não o conquistaram.
O encore foi representado por dois grandes êxitos da banda, duas músicas que fizeram a banda crescer e com que os fãs também cresceram nestes últimos anos. Seja a repetir as letras pela rua, em casa, no comboio, ou a ouvi-las no carro ou no ipod. Os Linda Martini deixaram a sua marca e "Dá-me a tua melhor faca" e "O amor é não haver polícia" demonstram o que tem sido criado ao longo destes últimos anos.
"Casa Ocupada" passa assim com enorme distinção ao vivo, sendo um álbum efectivamente de rock directo, mas cheio da alma da banda, tanto nas letras como na sonoridade. Este é um álbum poderoso e capaz de ombrear com os melhores álbuns da década.
A banda deu assim um espectáculo imenso, que não será esquecido por quem os viu. E a nível musical, Portugal pode sorrir novamente.

Linda Martini @ Lux (29-10-2010)


Setlist:
1. Nós os outros
2. Mulher-a-dias
3. Amigos mortais
4. Partir para ficar
5. Elevador
6. Amor Combate
7. S de Jéssica
8. Juventude Sónica
9. Ameaça menor
10. Cronófago
11. Este mar
12. Queluz menos luz
13. Belarmino vs
14. Cem metros sereia

Encore
15. Dá-me a tua melhor faca
16. O amor é não haver policia


Texto: João Miguel Fernandes
Fotos: Hugo Rodrigues