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segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Iconoclasts- Speedway


Os Iconoclasts são uma banda lisboeta de indie rock formada em 2009. Porém, a banda vive de mais influências, tanto experimentais como progressivas, o que lhes confere algo mais. A juntar a tudo isto, temos actuações explosivas e energéticas, numa combinação perfeita da essência de uma verdadeira banda, união em palco, como se fossem apenas um só. É impossível ficar quieto nos seus concertos e indiferente à sua paixão musical.
Recentemente disponiblizaram gratuitamente aquele que é o primeiro single do seu primeiro álbum.
Com um EP já na bagagem, os Iconoclasts preparam-se para lançar o seu primeiro longa duração, que reune algumas musicas do EP (gravadas novamente) e muitas músicas novas.
Speedway é uma dessas novas músicas. Para quem acompanha os Iconoclasts ao vivo, esta música não é nova, mas sim uma versão em estúdio do que já tivemos oportunidade de ver ao vivo.
A música é um misto de felicidade instantanea com energia simpática. Ora isto traduzido, estamos perante uma música que soa a boas energias, positivas e que nos faz querer começar a dançar, ou seja, a música ideal para abrir o apetite deste novo álbum. As letras são bem construídas e sempre cuidadas. O refrão é melódico e faz-nos querer senti-lo de perto, com a banda. Chegando perto dos 3 min chegamos também ao climax da música e a uma verdadeira explosão instrumental, de toda a felicidade proposta inicialmente.
Speedway é uma música belíssima, com imensa qualidade, dentro de um género já saturado, mas no qual os Iconoclasts tentam sempre inovar. E conseguem!
Quando acaba ficamos com a inevitável questão na cabeça, tal é a vontade de ouvir mais: "E o cd? Para quando?"

Alinhamento do álbum intitulado "Mt Erikson":

1. Standards
2. Wrong is The New Right
3. Speedway
4. Wisdom Cola
5. Tiger, Tiger
6. Tower of Glass
7. Velocity
8. Stranger in a Strange Land
9. Norwegian Poetry
10. Mt. Erikson
11. Green
12. Anything Will Do
13. Chances, Blown


Link para download da nova música:

domingo, 31 de outubro de 2010

Azevedo Silva - Carrossel (álbum)


Azevedo Silva lança finalmente o seu terceiro disco. Digo finalmente porque os fãs precisavam dele, e a música portuguesa no geral também. A influência directa de Zeca Afonso é inegável ao longo da sua curta, mas magnifica carreira. Contudo, este novo álbum "Carrossel" é uma clara evolução da sua influência, adaptado aos tempos actuais. Azevedo Silva é o "artista do povo", que canta os problemas de quem vive nas zonas urbanas, sempre tão fustigadas pela politica.
Acompanhado por inúmeros músicos de destaque do panorama musical actual, Azevedo completa o seu som, acrescentando novos instrumentos e sonoridades, explorando novos caminhos, mas deixando sempre a sua marca, seja nas letras sempre tocantes e reflexivas, como na sua voz melancólica, tocante, como um guia do nosso caminho. E esta é a principal arma de Azevedo, a sua voz, que nos apaixona a alma, nos toca profundamente. Seja uma voz triste ou não, é uma voz que nos ensina e nos faz sentir emoções. A música portuguesa está a ganhar um novo artista, um artista cada vez mais complexo e maduro.
Quanto ao novo disco, as palavras são poucas para caracterizar uma viagem fantástica pelas emoções humanas.
"Dona Solidão", primeira música deste novíssimo "Carrossel", é o reflexo do mundo actual. Este é um retrato fiel da realidade, sempre representada através da voz melancólica de Azevedo e de um instrumental sempre certo e adequado à sua voz. Música belíssima, sem qualquer dúvida.
"Carrossel" é um registo mais acelerado da nossa realidade, funcionando através de metáforas e de mudanças de tons. É daquelas músicas que vai ficar nos nossos ouvidos durante muito tempo. Esta é uma daquelas músicas em que a evolução de Azevedo é mais notória.
"Bússola" é uma música pesada, que nos faz sentir o peso da sociedade actual.
"Desassossego" é para mim a música mais bela do álbum e uma das mais belas de 2010. A voz de Azevedo sente-se como uma brisa que entra por dentro de nós e nos faz querer reflectir em tudo. Reflectir na nossa vida, na vida dos nossos. E é neste momento que sentimos que estamos perante um dos registos do ano, algo que quererá ficar na nossa memória, sempre e sempre.
"A Mãe" é a música mais calma do álbum, mas também uma das mais bonitas (do ponto de vista de letra).
"A Democracia será vingada no rossio" é o regresso de Azevedo Silva a temas políticos, de forma directa. A sua consciência politica sempre foi critica, como deveria ser a de todos. Misturando sons estranhos e outros mais dispersos, esta é a música mais estranha do álbum. Por estranha não podemos interpreta-la como negativa, muito pelo contrário, é uma excelente música, que nos faz sentir a opinião do artista, responsável por todas as letras do álbum.
"Manel Cruz e a Canção da Canção Triste" é uma resposta ao artista referido na música. É também uma música incrível, que ao terminar nos deixa com a sensação urgente de querer mais. Para tal podemos tentar acompanhar o artista e os seus acompanhantes pelo país fora.
Portugal está a sofrer uma enorme mudança musical, de novos artistas que cantam em português. Azevedo Silva é o exemplo mais claro do músico do povo, preocupado com tudo o que nos rodeia.
O novo álbum de Azevedo Silva é um apelo profundo aos princípios básicos do ser humano. Um apelo à consciência politica e social, aos problemas internos de cada um e às relações familiares. Seja na forma de metáforas ou de forma directa, Azevedo transmite-nos profundamente as suas emoções, sem complexos, sem fantasias, sendo honesto. E nós sentimos cada plavra como se tocasse na nossa alma.
Este "Carrossel" é um álbum obrigatório para qualquer português! Depois de o ouvirmos temos um pouco mais de orgulho em sermos portugueses.

Para uma audição na integra e a possibilidade de adquirirem digitalmente o álbum:

Myspace do artista:

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Goldfrapp - Head First (2010)




"Rocket" é o primeiro single extraído deste novo álbum do duo Goldfrapp. É também a primeira música do cd, que dá o mote as restantes. A escolha por esta música não pode ser aleatória, pois "Rocket" mistura bem a essência deste álbum. Os Goldfrapp são conhecidos por duas fases um pouco distintas: na primeira ( Seventh Tree e Felt Mountain" temos uns Goldfrapp mais introspectivos, numa onda trip-hop e ambiental; na segunda fase (Black Cherry e Supernature) a música torna-se mais irrequieta e faz-nos abanar as ancas, torna-se electronica e muito dançante.
Este "Head First" pertence mais à segunda fase, mas mesmo assim ainda tenta aspirar a criar um ambiente mais trip-hop, falhando redondamente. "Rocket" é a mistura desses dois estilos, resultando muito bem numa música que ficará inevitavelmente nas nossas cabeças, por bons ou maus motivos. É uma música muito alegre, dançante e também muito ao estilo do Dream Pop.
Os Goldfrapp foram mestres nas duas fases, tanto fazendo-nos dançar, como criando ambientes místicos e espirituais, muito muito calmos. Porém, este álbum peca por uma coesão de ideias. Não há bem uma definição de estilo e as músicas tornam-se repetitivas.
"Believer" ( segunda faixa do álbum) tenta fazer-nos vibrar, mas de forma algo sonolenta e banal. Não existe bem uma ligação musical, ou melhor, existe, mas vive da repetição, sem que se torne interessante. Todas as faixas são medianas se analisadas separadamente. Como todo o álbum falha, e não nos consegue remeter para os sucessos anteriores desta fantástica banda.
Os Goldfrapp são várias coisas, mas aqui não se percebe bem o que são, além de uma tentativa de fazerem pop comum, mas sem terem ferramentas para tal, porque são uma banda de electronica/trip-hop.
Há no entanto coisas positivas neste álbum: primeiro o facto de não existir nenhuma faixa má; depois o facto de ter algumas faixas bastante positivas, como "Rocket", "Dreaming" e"Voicething". Além disto, se esquecermos os anteriores álbuns, conseguimos vibrar com este, mas isso seria como esquecer o resto da história mundial e vibrar com a tirania.
"Head First" não é um mau álbum, mas não é aquilo que se esperava de uma banda incrivelmente talentosa e que tanto nos tem feito vibrar nos últimos anos.
Atenção que é já nesta Quarta o concerto no Coliseu de Lisboa! Vai de certo valer a pena!




Videoclip de "Rocket":

sábado, 4 de setembro de 2010

Pink Floyd - The Division Bell (1994)



"The Division Bell" é o último álbum de originais dos imortais Pink Floyd. Há quem diga que já não são os Pink Floyd, porque o baixista e mentor do projecto, Roger Waters, já não participou neste álbum. De qualquer das formas, este ficará para sempre como o ultimo registo dessa banda, que é considerada por tantos e tantos como a melhor de qualquer sempre.
As diferenças entre este álbum e outro qualquer em que participe o Waters são claras. As letras mudaram de tema e também de sentido, a música tornou-se mais próxima de um rock progressivo, mas menos conceptual, a voz melhorou em muito, e a guitarra de Gilmour sente-se ainda com mais paixão, sendo capaz de 'falar' por si própria.
O álbum em si é fantástico, desde o primeiro até ao ultimo segundo. A entrada triunfal de "Cluster One" arrepia qualquer um. Temas como "Marooned", "A Great day for freedom", "Coming back to life" e "High Hopes", ficaram para sempre na mente de qualquer pessoa que as ouça. São obras fantásticas, de uns Pink Floyd mais sentimentais, mas também com mais harmonia e alguma qualidade face a músicas anteriores.
Se repararmos, o estilo psicadélico desapareceu muito antes de Gilmour ter pegado no comando da banda, até muito antes de Waters. Em "The Wall"(obra máxima de Pink Floyd na era Roger Waters) perdemos completamente o sentido do psicadélico.
Em "Division Bell" temos um David Gilmour numa forma extraordinária, com guitarras e riffs impressionantes, que nos gelam até à espinha. As letras são emotivas e continuam a ter bastante significado.
Todas as bandas passam por diversas fases, e esta era uma fase necessária para uns Pink Floyd que já tanto experimentaram.
Este é um álbum cativante e surpreendente, seja-se fã de Waters ou de Gilmour.