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sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Top 10 de 2010, por João Miguel Fernandes

Quando pedi a todos para fazerem um topo misto, nunca pensei que fosse tão difícil. Vi-me agora com imensas dificuldades para o elaborar e tenho muita pena de ter deixado de fora coisas que considero terem sido essenciais para este ano. O Top reflecte também a escolha pessoal, por diversos motivos e não apenas a qualidade objectiva dos objectos culturais em questão. É curioso verificar que o cinema, arte que tanto prezo, está representado apenas por um filme. Sinal claro do que foi este ano a nível cinematográfico.
Fica então aqui o meu Top:



10- Associação Experimentáculo de Setúbal:
A cultura vive em Setúbal muito graças a esta Associação. Foram pequenos, médios e grandes concertos. Foram exposições ou exibições de cinema. A Experimentáculo fez de tudo para alimentar a cultura setubalense e temos tanto a agradecer-lhes. Obrigado.


9- Revista DIF
A Revista DIF tem vindo a aumentar a sua qualidade ao longo dos meses deste ano. Os artigos sobre artistas underground tornam-na actualmente na melhor oferta do género. Oferta é como quem diz, pois a revista é gratuita. Desta forma ficamos a conhecer um pouco melhor o que se passa cá em portugal no design, moda e cultura, e também um pouco mais de areas underground estrangeiras. Uma revista a ter em conta


8- CD - Make friends and enemies - More Than A Thousand/ videoclip roadsick
Os Setubalenses MTAT trouxeram-nos este ano um novo álbum bem pesado, onde tudo está melhor. A banda evoluiu e está cada vez melhor. Juntando isto ao facto de "Roadsick" ter na minha opiniao o melhor videoclip nacional do ano, está tudo dito. Fazer um videoclip onde transmitem todo o apoio dos amigos ao longo destes anos, onde representam essa amizade através de imagens reais e filmadas de forma fantástica, torna o videoclip em algo mais que apenas um acompanhamento visual. Para ver e ver, e ouvir e ouvir.


7 - EP - É uma água - PAUS
O EP dos PAUS, esta nova mega banda, é uma lufada de ar fresco na música que se faz em solo nacional. Ao vivo a energia que se sente é ainda mais incrivel. É impossivel destacar um só concerto, porque em todos eles estiveram incriveis. O EP é uma mistura de batuques, guitarradas e vozes estranhas, que nos trazem uma descoberta musical fantástica. Que 2011 seja o seu ano!


6- Concerto de Michael Bublé -Pavilhão Atlântico
Bublé é mesmo o homem do espectáculo. Os seus concertos não se resumem apenas a música, mas também a momentos de puro stand-up comedy, interacção directa com o público e muitas tentativas de tentar criar um ambiente intimo num imenso pavilhão atlantico. Merecia estar mais a frente no top, mas o ano foi demasiado bom em vários sentidos. Mesmo assim, é um grande artista ao vivo.


5- Concerto de Linda Martini - Lux/CD - Casa Ocupada
Os Linda Martini são uma peróla na nossa música. Através do seu rock cheio de influências, são capazes de criar em nós as mais diversas sensações. Nós ficamos no seu mundo, presos à sua música. O concerto no Lux e o cd "Casa Ocupada" são dois momentos que marcam este ano. Quem não esteve no Lux perdeu um dos concertos mais energéticos do ano. Quem não tem o cd faça o favor de o ir comprar para o natal!

4- Concerto de Sonic Youth - Coliseu dos Recreios
Os velhos Sonic Youth deram um concerto incrivel no Coliseu, quase com mais energia do que qualquer miudo de vinte anos. As suas musicas continuam a marcar gerações e a fazer vibrar o seu publico, seja este o dos anos 80 ou o jovem casual que os começou a ouvir o ano passado. É impossível ficar indiferente a uma banda deste calibre, com tanta qualidade e que ao vivo nos dá tudo. Sem duvida um dos concertos do ano.

3 - Shutter Island de Martin Scorsese:
O melhor filme do, sem qualquer dúvida. Dicaprio num papel fantástico e num personagem incrivelmente complexo. Scorsese assina uma nova obra prima, um thriller insano e cheio de q qualidade.


2- CD - Carrossel de Azevedo Silva:
É para mim um dos artistas de topo a nível nacional. Isto pode parecer disparate para quem não o conhece, mas então convido toda a gente a ouvir este álbum, que é um belo exemplo do que é a melhor música portuguesa da actualidade. É uma viagem por aquilo que é ser português, ser sonhador e apaixonado.

1 - CD - We're here because we're here de Anathema:
Destaco este álbum em primeiro lugar porque o considero uma das maiores obras musicais dos últimos anos. Em segundo, as letras poéticas aliadas a um instrumental progressivo e sentimental, tornam todas as melodias num puro prazer para a nossa mente. São os Anathema a fazer da melhor e mais profunda música que por aí se pode ouvir.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Anathema @ Teatro Tivoli (Review + Fotos)


Num dos primeiros dias de Novembro, em que o Inverno se tinha recolhido momentâneamente, á entrada do Teatro Tivoli as castanhas assadas eram um aperitivo para a noite que se seguia. Com uma entrada tímida dentro da sala, sem lugar para muitos histerismos, pouco a pouco se foram preenchendo os lugares, que quase esgotaram na sua totalidade. Algumas músicas de Led Zeppelin exortavam pelo espaço, com algumas interferências devido ao sound-check.


Pouco depois das 21h, Slamo, uma banda portuguesa, entram no palco, tocando um som pesado, e vocalmente agressivo. Tocam menos de meia hora, ainda a sala estava a meio gás, com muitas pessoas a aguardar fora da mesma.

Ás 22h sobe ao palco, o prato principal, Anathema, para gáudio de todos, e aqui sim, ecoa alguma exaltação. "De pé" é a palavra de ordem dada pela banda. Alguns aplaudem e sentam-se de novo, mas logo todo o povo não resiste a obedecer. Rasgam as bajulações com Deep, do albúm Judgement, de 1999, certamente a altura que deu a conhecer a banda a muitos dos que preenchem o público, pois a maioria já está longe de ser adolescente.






A banda de Liverpool decidiu por bem reproduzir o novo albúm na íntegra durante esta tour, o que perfez mais de duas horas de concerto, com um entusiasmo tanto da banda como do público que nunca foi abaixo. Ora em momentos de mais pujança melódica, ora em sonoridades mais melancólicas, todo o espéctaculo foi uma constante comunhão entre banda e audiência. O trio Cavanagh mostrava um semblante claramente estarrecido com o empenho desmesurado de quem os tinha ido ver naquela noite. Para quem se encontrava nas filas mais dianteiras, era vísivel nos olhos de Vincent a admiração com que fitava de uma ponta á outra toda a sala, á qual teceu elogios pela sua beleza arquitectónica.



Além da entrega a cada música, muitas com mais de 10 anos, mas que trazidas a nós com tanta energia e vivacidade, pareciam ter sido feitas recentemente, os irmãos mostraram-se bem dispostos, dizendo piadas, como por exemplo, que "Panic", tinha sido escrita pelos bonecos desengonçados que estavam encostados á bateria.

Já passava da meia-noite, quando alguém grita "Angelica", e no lado contrário se ouve "Lost Control", e Vincent faz uma espécie de leilão, o "quem dá mais", pondo todo o Tivoli a pedir músicas para o encore. Terminam com Fragile Dreams, um clássico, e demoram até abandonar o palco. Não querem deixar um público tão aficcionado como é o português. Fica a promessa de uma próxima visita.







setlist:

Deep
Pitiless
Forgotten Hopes
Destiny Is Dead
Balance
Closer
A Natural Disaster
Empty
Lost Control
Destiny
One Last Goodbye
Panic
Temporary Peace
Flying
Thin Air
Summernight Horizon
Dreaming Light
Everything
Angels Walk Among Us
Presence
A Simple Mistake
Get Off, Get Out
Universal
Hindsight

Are You There?
Angelica
Fragile Dreams


sábado, 28 de agosto de 2010

Anathema - Transmissão de sentimentos



É difícil transmitir um sentimento puro e próprio através da música. Há quem tente e nos esfregue na cara letras dramáticas e melancólicas, mas na melodia sente-se alguma falsidade, ou tentativa vazia de arrastar multidões pela 'bonitice' da coisa. Há quem nos carregue com uma voz pesada, triste, que eventualmente nos transmitirá algo, mas mesmo assim soará a falso, a algo não próprio.
Há quem considere as músicas dos Nirvana como algo muito sentimental, mas para mim são apenas bocejos de consciência, de ilações momentâneas de Cobain, com a sua mestria, mas sem o verdadeiro sentimento.
Aconselho fora de gostas pessoais uma banda que será capaz de transmitir o seu sentimento a qualquer pessoa, seja qual for a idade ou a experiência pessoal de vida que tenha passado, os ingleses Anathema.
As explicações podem ser abrangentes, mas hoje deixo apenas uma música. Boa noite.
Já agora, dia 2 de Novembro estarão por Lisboa e dia 3 pelo Porto.


sábado, 8 de maio de 2010

Anathema - We're here because we're here - 2010



"We're here because we're here" é o titulo do novo álbum de Anathema. Posso descreve-lo rapidamente como uma mistura do "2001: Odisseia no Espaço", com "Pink Floyd" e o sentimento tão próprio dos Anathema, as suas desilusões, as tragédias familiares, os dramas amorosos, basicamente a infelicidade da vida.
Para quem não conhece Anathema, é uma banda de Liverpool, que nasceu como Death/Doom Metal e é agora um exemplo claro do Rock Progressivo/alternativo.
Este é o primeiro álbum original desde 2003 (A natural disaster), e é aguardado com enorme expectativa (está à venda no dia 31 de Maio).
A verdade é que já o ouvi e posso dizer que é um daqueles álbuns em que dá vontade de viver lá dentro.
A viagem começa com "Thin Air", um impulso para a vida, para iniciarmos esta viagem cósmica, repleta de guitarradas espaciais e uma voz melodica e perfeita do vocalista Vincent Cavanagh. É um inicio atribulado, que tem continuidade no desespero emocional e instrumental de "Summer Night Horizon", a música que se segue. "Dreaming Light", a faixa 3, permite-nos sonhar livremente, deixando tudo à nossa imaginação. Sente-se em cada palavra de Vincent o amor, a paixão, a dedicação que este dedica a este seu projecto, tão pessoal. Ao mesmo tempo que cada música é um toque pessoal da vida de Vincent, nós próprios conseguimos identificar-nos com muitas das problemáticas expostas. E tão bela que é a voz de Vincent nesta faixa 3! Que dizer do instrumental que acompanha esta música... um toque arrepiante de guitarradas, bateria, baixo e tudo o que possamos imaginar e sentir. Um hino à força que todos deveríamos ter dentro de nós. Uma música capaz de apaixonar todas as pessoas que gostem de música.
A faixa nº 4 é já uma conhecida dos fãs de Anathema. "Everything" fala de uma analogia amorosa, entre tudo o que existe na vida e o amor: "Everything is energy and energy is you and me". É uma musica acompanhada de piano, com uma certa esperança no amor, na capacidade de união entre as pessoas que se amam e na união do ser humano.
"Angels Walk Among Us" é também um titulo já tocado ao vivo, onde Vincent fala das pessoas que morreram como anjos que andam entre nós. Há uma referência explicita à mãe, que morreu há alguns anos atrás e à qual Vincent dedica imensas músicas ( One Last Goodbye). É difícil ficar indiferente à sonoridade apresentada nesta música, tal como à letra, sempre profunda e sentimental: "mother can you hear me?/ can you tell me, are you there?/ father can you help me?/ cause i know that you care".
"Presence" é apenas a continuação da música anterior, mas agora através de uma mensagem falada e da bela voz de Lee Douglas.
"A Simple Mistake" é a grande viagem ao universo deste álbum, é a verdadeira passagem à outra fase, tal como acontece no filme "2001: Odisseia no Espaço", ou "The Fountain". Falo de uma viagem pela vida e pelo ser humano, onde cada um de nós sentimos tudo de forma diferente, ganhando novas perspectivas e dimensões. É fácil encontrar um excelente álbum, mas é tão difícil encontrar um que nos ensine algo novo e que nos faça sonhar sem ser preciso fazer força para isso.
A música "Get off, get out" é a mais "fraca" do álbum. Anexar a palavra "fraca" a este texto é quase algo merecedor de prisão, mas é justo dizer isto, porque todas as outras faixas são únicas e simplesmente magnificas, e esta é apenas muito boa, dotada de claras influências progressivas e bandas pré-anathema.
Arrisco a dizer que a penúltima música deste fabuloso álbum, "Universal" é das melhores músicas que ouvi nos últimos anos, tanto a nível de composição, como de sentimento.
"Hindsight" é a chave final, a ultima viagem, a mistura clara entre o final do 2001:Odisseia no Espaço, o final do filme "The Fountain" e o final da música "Echoes" de "Pink Floyd". Esta é uma música que nos prende no seu mundo tão próprio, com uma essência metafórica.
Os ingleses Anathema brindam-nos assim com um álbum inacreditavelmente poderoso, tanto do ponto de vista sentimental (algo que Vincent nos tem habituado desde que entrou para a banda), como do ponto de vista instrumental, vocal e de composição.
"We're here because we're here" é uma explicação pessoal e metafórica do vocalista e compositor Vincent Cavanagh, do que é a vida. Nós, o ouvinte, podemos tirar as nossas próprias conclusões, através de um pequeno empurrão.
Um álbum inesquecível e que figura entre um dos melhores dos últimos anos.