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domingo, 13 de fevereiro de 2011

Hipocondria - Klepht



É difícil enquadrar os Klepht no espectro musical português. Apesar de contemporâneos à vaga de nova música portuguesa da segunda metade da década passada, se olharmos em retrospectiva parecem não fazer parte dela. Talvez por serem mais "rock fm", talvez por a elite mais hipster não ter visto com bons olhos um VJ da MTV à frente da banda, provavelmente porque quando o indie ganhava fulgor surge uma banda que nos trás à memória uns 3 doors down e semelhanças ao post-grunge.

Hipocondria, o segundo albúm, temível para alguns um passeio no parque para outros, mostra-nos uns Klepht mais maduros que se afastam do pop-rock do albúm de estreia com a cautela suficiente para não mexer demasiado numa formula ganhadora e alienar os fãs que já conquistaram. Não há neste Hipocondria faixas tão acessíveis quanto "Antes e Depois" ou "Por uma Noite" do álbum de estreia, provavelmente não irá gerar tantos singles, mas no geral é muito mais sólido e o que lhe falta de imediato é compensado em subtilezas e arranjos mais trabalhados. E se realmente parece não ter resultado dum processo fácil tal acaba por resultar a favor da banda que encontra nas dificuldades de um segundo álbum a inspiração necessária para o fazer resultar, até mesmo inspirando-se na falta de inspiração para criar.
Há de facto muito neste álbum que reflecte os vários aspectos menos fáceis de pertencer a uma banda e fazer musica, desde a critica à vida na estrada, até ao processo de composição. A ida para os E.U.A. e estarem afastados do que diariamente os rodeia talvez tenha ajudado a esta visão mais centrada na própria musica, seja como for os Klepht mostram que não podiam estar mais indiferentes ao que outros possam pensar e o que dizem críticas já formadas.

Liricamente no entanto há que fazer alguns reparos, se regra geral o estilo mundano e descomplexado com uma ou outra tentativa a um rasgo mais poético vai resultando existem passagens que claramente nos fazem pensar se naquele momento a inspiração simplesmente se recusou a aparecer. Até numa musica como "Tudo de Novo" a entrega do verso como "duas horas para acabar o que em quatro anos a gente fez" atordoa os sentidos.

No fim de contas Hipocondria é um teste superado, é o amadurecimento de uma banda que progressivamente se afasta da sonoridade pop-rock e se move algures para o meio termo entre os My Morning Jacket de It Still Moves e uns Foo Fighters.
É provável que nunca venham a ser a banda de referência para os melómanos mais intelectuais mas retirem algum consolo de que enquanto o vosso amigo, o pretenso intelectual que todos temos, está em casa a fingir que gosta de Velvet Underground vocês podem estar a cantar a plenos pulmões que se "vos faz mal fariam tudo de novo" num concerto e nem sequer se importarem com o que os outros pensam.


quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Luís Costa - Layered


Layered
Luís Costa, 2010

Diz-nos o texto de apresentação de Layered que este disco é o regresso a solo do multi-instrumentista Luís Costa 3 anos após o seu último lançamento, diz-nos também que convém não esquecer que durante esse tempo Luís Costa não esteve parado no que à música diz respeito, já que iniciou juntamente com alguns amigos o projecto You Can't Win, Charlie Brown, no qual ainda colabora, e ainda que mais recentemente surgiu com um outro projecto, os virtuais The V-Men. Acresce a isto que quem já conhece ou segue este projecto a solo, sabe que Luís Costa gosta de levar o seu tempo a aperfeiçoar os temas, de ter a certeza que tudo está a gosto e o satisfaz antes de um qualquer lançamento.

Este novo EP é então o resultado de ideias e experiências acumuladas ao longo destes anos, e logo pelo título conseguimos perceber o que nos espera, ou pelo menos o conceito do que nos espera, porque é isso mesmo que este álbum é, um conjunto de temas construídos camada sobre camada, e o que no geral já soa bem, soa ainda melhor quando arranjamos uns fones e nos conseguimos perder no que estamos a ouvir, já que a cada audição é possível ir desmontando as camadas sobrepostas e ir descobrindo novos pormenores que possivelmente nos escaparam na primeira, na segunda ou na centésima audição, o que torna a experiência de conseguir ouvir este Layered como um todo mais enriquecedora.

As faixas são na maioria instrumentais, como já vem sendo hábito neste projecto, excepto no tema Little Maestro que conta com a colaboração de David Santos (mais conhecido como Noiserv) na voz. E já que estou a falar de colaborações, são também convidados neste álbum Bruno Julião (Monomonkey e The V-Men), Filipa Vale e Nuno Silva, apenas mencionando alguns dos que ajudaram a construir este disco.

Distribuido pela Cakes and Tapes Records, é possível fazer o download legal de Layered na sua totalidade aqui ou então comprar uma versão física em cd ou cassete numerada aqui, por isso não há desculpa para não ficar pelo menos a conhecer a música que Luís Costa nos tem a apresentar.

Wide


The Chemist Vs. the Computer - Hydrosufoolooween


Hydrosufoolooween
The Chemist Vs. the Computer, 2010

Depois de um EP editado em 2007 e várias mudanças de formação, chegou-nos o ano passado o segundo EP desta banda americana. É verdade que com a saída dos dois guitarristas e do baterista, é provável que se pudesse pensar que a continuidade destes The Chemist Vs. the Computer estivesse em risco, no entanto o pior não aconteceu e a banda recompôs-se, arranjou novos membros, e 3 anos depois este Hydrosufoolooween é um sucessor digno de Loki.

Os The Chemist Vs. The Computer podiam ser aquela típica banda screamo americana, e em certa medida são, a verdade é que não reinventando o género, são exímios no que fazem, com o acréscimo de conseguirem tirar proveito de influências de outros géneros musicais, incorporando-os nas suas músicas para assim se distanciarem um pouco das outras bandas do género.
Hydrosufoolooween é exemplo disso, como já era o seu antecessor, e após a introdução com um pouco menos de 1 minuto, os restantes 6 temas que compõem este álbum atingem-nos com força, e o instrumental pesado vai contrastando por vezes com a voz de Dan Easton, que num registo parecido ao de Anthony Green (na era Saosin) ou especialmente ao de Craig Owens (ex-Chiodos, agora nos D.RU.G.S), consegue fazer a transição entre berrar e cantar de uma forma muito boa, sem ter medo de atingir as notas altas sempre que necessário.

No que conta, Hydrosufoolooween é uma boa amostra do que esta banda pode e consegue fazer, tecnicamente continuam a um bom nível, e caso a banda consiga estabilizar os seus membros e som, espera-se que possam lançar um promissor primeiro álbum brevemente, para já teremos que nos contentar com estes dois belos EP's.

Dandelion


Para conhecer melhor a banda é aqui:
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terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Cage The Elephant - Thank You Happy Birthday

Thank You Happy Birthday
Cage The Elephant, 2011


Lançado precisamente no dia de hoje, este Thank You Happy Birthday é o segundo álbum da banda Cage The Elephant. Sucedendo ao álbum homónimo de 2008, que ficou conhecido graças a um par de singles, este álbum acaba por ser uma evolução bastante positiva, embora ainda não afaste definitivamente algumas das fragilidades reveladas pelo primeiro longa duração da banda.

Thank You Happy Birthday começa forte, com canções rock facilmente dançáveis e agradáveis ao ouvido, a fazer lembrar talvez uns Artict Monkeys a fazer música sob o efeito de ecstasy. Always Something abre o álbum, e lança o mote e o tom para o que se segue, ainda que existam algumas flutuações entre diferentes tipos de som, no fundo acaba por ser um álbum rock polvilhado aqui e ali por melodias e refrões mais pop, assim num meio termo entre uma produção polida e mais crua.

Indy Kidz é um tema que se destaca por ser uma sátira bem conseguida sobre..bem, atentem ao título da música, e no qual o vocalista Matthew Shultz canta coisas como "get the right haircut" ou "i want to be just like you". No entanto, e não limitando a música ao título e se virmos além do óbvio, podemos pensar que é um tema que acaba por abordar também de uma forma geral o exagero de idolatrar alguém ao ponto de se poder perder a própria individualidade por substituição à da pessoa admirada. E isto espelha também um pouco a temática das letras presentes neste álbum, sobre e para os jovens, sem que isso afaste qualquer tipo de público, quase como em tudo, são assuntos pelos quais já passámos ou falámos, ou conhecemos um amigo de um amigo que nos contou sobre o seu outro amigo que viveu e experienciou isso.

Como já referi ao início, Thank You Happy Birthday acaba por sofrer um pouco do mesmo síndrome do primeiro álbum, existe de facto uma boa evolução por parte da banda, mas continuam a aparecer alguns temas menos conseguidos e mais fáceis de cair no esquecimento entre um bom punhado de outras faixas que merecem atenção e oportunidade de serem ouvidas, no entanto não é por isso que esta segunda amostra discográfica dos Cage The Elephant deixa de ser um bom álbum, porque o é, e vindo de uma banda jovem, que tem tudo para conseguir evoluir ainda mais, o futuro pode trazer boas coisas a este quinteto americano, e consequentemente a nós, por podermos ouvir o que eles têm para nos mostrar.

Shake Me Down


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domingo, 9 de janeiro de 2011

Pulled Apart By Horses - Pulled Apart By Horses


Pulled Apart By Horses
Pulled Apart By Horses, 2010

Conhecidos pelas suas actuações explosivas, que inclusivamente já valeram aos membros desta banda algumas visitas ao hospital, este quarteto de Leeds estreou-se em 2010 com um longa duração homónimo, e se por um lado ser reconhecido como uma grande banda ao vivo tem o seu mérito, acaba por poder pairar no ar a questão de como é que a banda se mostra em disco, será que conseguem manter o ritmo? Será que conseguem soar de forma tão intensa e alta? Será que estes Pulled Apart By Horses conseguem sobreviver às expectativas criadas por quem já os tinha visto em concerto, e agora vai ouvir o álbum?

A resposta a isto tudo é: sim.

Tudo o que caracteriza esta banda ao vivo é de uma forma ou outra transportada para disco de uma maneira quase perfeita, a mescla de sons e caos produzidos pela banda atinge-nos como se de um tornado se tratasse (situação hipotética), mas a verdade é que é impossível resistir ao frenesim causado por músicas como "High Five, Swan Dive, Nose Dive" com o seu final devastador, ou ao tema "I Punched a Lion In The Throat", cujo refrão se cola a nós para nunca mais nos largar. E se pensarmos bem, o título desta música podia muito bem reflectir a atitude e o som desta banda, destemidos qb, os Pulled Apart By Horses dão-nos sensivelmente 35 minutos de boa música ao longo dos 11 temas que compõem este álbum, e a verdade é que no final, houvesse ainda energia para mais, não viria mal ao mundo em prolongar a devastação sonora pela qual passámos.


High Five, Swan Dive, Nose Dive


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quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Album Review - Katatonia - Night is the New Day


"Night is the New Day" is the latest album from Swedish band Katatonia. For those who don't know who they are, they were formed in Stockholm in 1991. In the beginning they were a doom/death metal act ,but nowadays they're an alternative metal band.
Katatonia's most recent album is a piece of art, not just for the fans, but for all the music listeners out there. They're indeed a metal band, but you should not expect screams, or gutural voices, they're just as melodic as there is.
The first song of the album is called "Forsaken", and it shows the true power of the band. The instrumental make us feel something deep, and the voice of the lead singer, Jonas Renkse, sounds perfect! "Forsaken" is that type of songs that will remain in your head for a long time.
"The longest year" is the second track of this perfect album, and it sounds even greater than the first one. It is impossible not to be amazed by the voice of the lead singer, that conduct us to heaven. The instruments give us the rest of the musical scenario, the path to heaven.
I hardly have words for the third track, "Idle Blood", because it is near perfection.
It is difficult for me not to refer all songs, because all songs are amazing, from the voice to the instruments. I have to refer "Inheritance" and "Day and Then the Shade" and particularly "Departer", as the best songs.
Katatonia have made an incredible album, that will be presented in Portugal on the 26th and 27th of November, in Lisbon(Almada) and Porto.
If you like good music, a band that will shake your heart and give you something more, you've got to attend the concert!