Mostrar mensagens com a etiqueta Homens da Luta. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Homens da Luta. Mostrar todas as mensagens

domingo, 6 de março de 2011

A História e o Festival da Canção

Os Homens da Luta acabaram de ser eleitos representantes de Portugal no Festival da Eurovisão 2011 que terá lugar em Maio na Alemanha. O que importa aqui referir é que tal só foi possível com os votos do público, uma vez que apenas com o Júri, a Luta é Alegria estava praticamente afastada da corrida, sendo o vencedor mais provável Nuno Norte.

Corria o ano de 1973 quando Fernando Tordo ganhou o Festival RTP da Canção com o tema “Tourada”. Camuflada para escapar às manhas do lápis azul, a letra revela-nos o ambiente de contestação social que se vivia na altura com o Estado Novo. Fala-nos de hipocrisia social, de uns com tanto e outros com tão pouco, do comodismo das pessoas, apesar das queixas constantes, da esperança que foi depositada em vão na Primavera Marcelista após o afastamento de Salazar. Primavera essa que poucas ou nenhumas mudanças trouxe ao nosso país. Um ano depois, o Povo saiu à rua em revolução, guiados por outro tema vencedor, “E Depois do Adeus” de Paulo de Carvalho, dispostos a fazer cair o Estado Novo na altura comandado por Marcelo Caetano.

Volvidos tantos anos, a situação em que nos encontramos não é melhor. O emprego escasseia, os preços aumentam. As famílias falidas multiplicam-se. O Festival da Canção deixou de ter a importância que teve em tempos, as canções deixaram de ficar para a História, as famílias deixaram de se reunir em frente à televisão. Todos se recordam da “Desfolhada”, do “Ele e Ela”, de tantas outras canções que se tornaram parte da nossa cultura, entoadas por tantos. Das canções mais actuais, ninguém se lembra.

Mas hoje foi diferente. Terá sido esta vitória dada pelo Público aos Homens da Luta, que no meio de tanta brincadeira tocam em algumas feridas, um alerta dado pela sociedade de que chega?

Fica a reflexão.
Boa noite.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Análise a uma banda: Homens da Luta



Falar da popularidade dos "Homens da Luta" é quase como falar da popularidade de José Sócrates, ou António o Bicho! Porém, a banda consegue ser um pouco mais competente que os outros demais nomes.
Neto e Falâncio são os verdadeiros homens da luta, surgindo do programa da sic radical "Vai Tudo abaixo". A relação com o 25 de Abril de 74 é intrínseca, e a classe operária está sempre representada nas suas músicas.
Os "Homens da Luta" são muito mais do que uma só banda. São o rosto do povo, de uma forma cartunesca e exagerada, mas sempre com os padrões sociais bem definidos. Podemos ver a banda um pouco por todo o lado, tudo o que seja manifestação social, ou evento social, tal como o Optimus Alive, ou o Festival da Eurovisão. Por tudo isto, os "Homens da Luta" são uma imagem de marca do povo, do verdadeiro povo, o que sai às ruas e se manifesta contra o poder. Este "boneco geral" é perfeitamente produzido por Neto e Falâncio, além dos outros integrantes da banda.
A nível musical temos a verdadeira música de intervenção, aquela que pretende transmitir uma mensagem directa, mais pelo meio vocal do que instrumental. Não é uma banda que se destaque pela qualidade dos seus músicos, mas também não é uma "banda" em conceito geral. É, como já referi, um "boneco social", criado com uma imagem de humor, que tenta transmitir algo à população. E tudo resulta tão bem, de forma tão animada quanto caricata.
Os "Homens da Luta" são mais um produto bem nacional, que define o carácter lutador do povo português. De certo que não se vão ficar por aqui e ainda vamos ouvir muita desta boa música.

A luta continua!