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sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Interpol + Surfer Blood @ Campo Pequeno (Fotoreportagem)

Os Interpol regressaram a solo português, passado pouco mais de um mês desde a abertura para os U2 e volvidos três anos após a sua estreia no festival Super Bock Super Rock e o último concerto em nome próprio, esgotado, no Coliseu dos Recreios. Depois de Our Love to Admire, o bem sucedido albúm de 2007, trazem desta feita o albúm homónimo de 2010.

Ás 21 horas em ponto, os meninos da Flórida, Surfer Blood entraram em palco, estreando-se assim no nosso país. Trazem na bagagem Astro Coast, registo deste ano e albúm de estreia. O grupo de West Palm Beach é enérgico em palco, e as músicas convidam á festa. Provam por que razão são uma das novas bandas a ter em conta. Terminam com "Swim".


Pouco passava das 22h quando a banda de Nova Iorque pisa de novo um palco português, sendo ovacionada. Um campo pequeno quase repleto por completo grita por Interpol. Arrancam com Sucess, tema pujante do novo albúm, que o público parece acolher bem.

Ao contrário do que seria de esperar a banda focou o alinhamento nos dois primeiros algúns Turn On the Bright Lights (2002), e Antics (2004) com canções bajuladas pela audiência, como "Say Hello to the Angels", "Narc", "C'mere".

Do albúm que assinaram pela major Capitol, só nos foi concedida "Rest My Chemistry". Temas emblemáticos como Pioneer to the Falls, ou até o single (que chegou a integrar a banda-sonora de Morangos com Açúcar) "The Heinrich Maneuver" ou "No I in Threesome" foram deixados de fora. Também a acarinhada "Evil" ou a balada melancólica "NYC" não desfilaram no Campo Pequeno.



Sentiu-se falta de Carlos D., não que o novo baixista, David Pajo, não tenha competência, é a apenas uma questão de afinidade. Como falhas a apontar, a terrível acústica da praça de touros, que prejudicou o que poderia ser um grande concerto, e o seu tempo de duração (1h30) que deixou água na boca.

O enlace termina com tiros certeiros com "Obstacle 1", e "Stella Was a Diver and She Was Always Down".


Setlist:

1. Success
2. Say Hello To The Angels
3. Narc
4. Length Of Love
5. Summer Well
6. Rest My Chemistry
7. Slow Hands
8. C'mere
9. Untitled
10. Barricade
11. Take You On A Cruise
12. Lights
13. PDA
14. Memory Serves
15. Not Even Jail

Encore
16. Hands Away
17. Obstacle 1
18. Stella Was A Diver And She Was Always Down

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Interpol - Interpol (2010)


É com a vontade de reavivar a memórias aos fãs jubilaram ao ouvir o seu primogénito, Turn On the Bright Lights, que os Interpol lançam agora o seu mais recente trabalho: Interpol.

E porque será que as bandas decidem dar o nome da banda ao próprio álbum? Será o álbum que mais se aproxima da identidade da banda ou será apenas falta de imaginação? No caso dos Interpol, o nome homónimo do álbum é possivelmente uma tentativa de voltar às origens, de readquirir o que os Interpol foram perdendo circunstancialmente em Antics e Our Love to Admire, de Paul Banks gritar "Estes é que são os Interpol!". Em Interpol existe essa preocupação quase óbvia em voltar às sonoridades de outrora. Um regresso ao passado que nunca deixou de ser presente.

Já sem Carlos Dengler, o baixista, que deixou de trabalhar com a banda depois de concluído o álbum agora lançado por alegadamente não gostar de tocar baixo, os Interpol apresentam um disco consistente, bem estruturado e sombrio como só eles o conseguem.

É de contrastes de luzes e sombras, de brancos e pretos, de pombas e corvos, que vivem os Interpol; são esses contrastes que os tornam especiais. É mais uma injecção de melancolias sonoras, de narrativas tristes, de amores agri-doces cantados pela voz condizente de Paul Banks. E numa altura em que a música é veículo de sentimentos falsos e emoções contrafeitas, há que louvar tudo o que é genuíno. E a verdade é que tudo neste álbum soa a genuíno. A guitarra de Daniel Kessler continua a ser um bom motor do dramatismo e eleva-se quase a um nível atmosférico. O som ficou mais denso e nublado.

Uma banda-sonora pós-dramática, depressiva, bela e arrepiante. Onde a beleza está escondida por trás de metáforas.

Por outro lado, este, pode parecer um álbum muito homogéneo, quase aborrecido. Não é à primeira audição que se bate o pé, não é à segunda que se identifica imediatamente qual é a música, até os refrões estão camuflados ou não existem mesmo. Mas este é só mais uma prova do corte de relações com qualquer estereótipo à volta da música moderna.

Na minha opinião, melhor que Our Love to Admire, mas ainda não chega ao Turno On the Bright Lights.

No fundo, são mesmo estes os Interpol.



Os Interpol já têm duas presenças agendadas para solo português: em Coimbra, a primeira parte dos concertos dos irlandeses U2 está assegurada pelo quarteto nova-iorquino (2 e 3 de Outubro) e também em nome próprio e no Campo Pequeno (12 de Novembro).