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segunda-feira, 11 de abril de 2011

Faster, de George Tillman Jr. 2010


Os bons filmes de "porrada" são cada vez mais raros. Agora o objectivo é apenas fazer um filme com milhões de explosões, a música do momento, pouca violência e uma história tão banal que até um miúdo da primária conseguiria adivinhar o fim nos primeiros cinco minutos.
A meu ver, o problema não parte apenas dos realizadores dos filmes de acção, nem do público, mas sim dos actores escolhidos. Num filme de acção o actor principal tem uma tal importância que pode definir todo o filme a vários níveis. Casos como o de Arnold Schwarzenegger, que até nos filmes mais sério recorria ao seu humor, ou de Bruce Lee que nos fazia rir e espantar ao mesmo tempo com os seus movimentos acrobáticos, tornaram-se icónicos e algo que será relembrado para sempre no mundo do cinema. A verdade é que actualmente não existem actores com carisma suficiente para ombrearem com estas "bestas" dos anos 70, 80 e 90. Actualmente temos Jason Statham como o grande herdeiro de Stallone, mas Jason tem um problema, não é icónico, não se demarca dos outros. Além do seu sotaque british, Jason Statham é apenas mais um.
Na minha opinião o único actor que poderá chegar ao patamar dos "heróis" do antigamente é Dwayne Johnson, conhecido anteriormente como The Rock. E este filme, Faster, é um claro exemplo disso.

O novo filme de Dwayne Johnson é uma réplica de vários filmes de acção, mas apesar de tudo acaba por resultar. A personagem de Dwayne acaba de sair da prisão com apenas uma missão: matar todos os que estiveram envolvidos na morte do seu irmão. Pelo meio somos confrontados com várias reflexões ideologicas que estão bem construídas, nomeadamente a do "perdão" perante os crimes. O filme segue três histórias principais, todas elas bem construídas e interessantes. Por um lado temos a personagem de Dwayne Johnson, repleta de sede de vingança; por outro temos Billy Bob Thornton, interpretando um policia viciado em drogas e com um passado obscuro; de outro temos um jovem playboy, que decide matar criminosos apenas por desporto. Todas as três histórias são densas e, apesar de já muito batidas, resultam bastante bem, criando um filme interessante e bastante positivo. É também uma alegria ver um filme de acção bem filmado, sem as habituais camaras rápidas e slow motions idiotas.
A personagem de Dwayne Johson é negra e convincente; as cenas de acção estão violentas, como se pede, sem exagerar!
No geral temos um filme bastante positivo, tendo em conta os filmes de acção dos últimos anos. Não se trata de um filme original e muito menos de um grande filme de acção. Porém, consegue entreter bastante o espectador e fazer-nos ficar interessados na narrativa, tanto pela construção dos personagens, como pelo argumento, sem falhas de maior a apontar.


domingo, 10 de outubro de 2010

Predators de Nimród Antal, 2010



Há filmes que por si só nos oferecem mais do que um produto artístico. "Predators" é um desses casos. Além de toda uma base de entretenimento, o filme oferece-nos um estudo social do ser humano. Este facto é um bónus, bem aproveitado pelo realizador, esse senhor responsável por adaptar o argumento ao ecrã.
A premissa do filme é simples, e embora possa parecer básica, não o é de todo.
Vários criminosos condenados à pena de morte são largados de pára quedas num planeta. Planeta esse que é um local de caça da raça alienígena "Predator". Nesse planeta têm que sobreviver a várias armadilhas e ao confronto com esses mesmos Predators, que usam aqui os humanos tal como um qualquer safari.
O titulo do filme advém do confronto dos dois mais temidos predadores, o ser humano ( predador hegemónico no planeta terra) e os Predators ( raça alienígena que viaja pelo espaço para caçar outras espécies). Porém, o confronto entre estes dois seres não se fica pela simples banalidade do uso da força, ou de estratagemas militares. "Predators" é rico em confrontos sociais, quer através de metáforas bem desenvolvidas, quer através de diálogos directos e bem construídos, ou até momentos de grande suspense.
O ser humano é explorado tanto como caçador, como presa, e é aqui que surge a verdadeira riqueza do filme. A forma como os personagens se desenvolvem ao longo do filme, é totalmente análoga à sua evolução enquanto presas ou caçadores, o que torna o filme bastante interessante. Os personagens são mais densos do que seria de esperar de um blockbuster de acção, e as relações entre eles fogem do banal. É claro que nunca deixa de ser ridículo assistir a um Adrien Brody a tentar ser Arnold Schwarzenegger, mas a verdade é que é apenas estranho, e não mau. As sequências de acção são bem filmadas e cheias de suspense, aliás, podem esperar suspense desde o primeiro minuto até ao último.
Este é um filme que não deixa de nos surpreender e vai criando sempre motivos de interesse, tanto do ponto de vista do sofrimento humano e da sua capacidade de sobrevivência, como do ponto de vista de acção e violência (justificada). Aliás, palmas ao realizador, que não caiu no ridículo de tentar fazer um filme que pudesse ser visto por crianças, apenas para ganhar mais uns trocos. Este é um filme violento, mas que não usa a violência como arma de marketing. A violência é medida e bem usada, algo que já fazia falta no cinema nos dias que correm, em que todos os filmes são também para crianças, tornando cenas de acção supostamente violentas, em brincadeiras cliché de wrestling.
"Predators" é um filme que arrisca e vai mais longe que qualquer blockbuster dos últimos anos. Não tem medo de ser um filme de acção e procura dar-nos mais do que cenas de acção, algo que possamos comentar posteriormente. A nível técnico é primoroso em todos os aspectos, desde a banda sonora do primeiro Predator, aos personagens, planos e cenas bem construídas.
No final temos um óptimo filme de acção, que nos vai remeter para a questão: O ser humano é a presa ou o caçador?


ps: Este filme nada tem a ver com a série Alien Vs Predator. Este filme faz parte da saga Predator (Predator , Predator 2, Predators)

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Resident Evil: Afterlife de Paul W.S. Anderson, 2010



Sem me querer alongar muito, a série Resident Evil começou como videojogo, para a velhinha Playstation. Passado uns bons anos a série deu o salto para o grande ecrã e estreou-se em boa forma com "Resident Evil", de Paul W.S. Anderson. O filme tinha algo mais do que os banais blockbusters, porque não tinha apenas violência grátis, ou explosões pirotécnicas. Este filme era capaz de ir mais longe e criar cenas de suspense e terror, sempre com boas sequências de acção. O segundo filme, "Resident Evil: Apocalypse" desceu um pouco a fasquia. Perdeu o realizador primário e perdeu também capacidade de realização, com cenas de acção demasiado confusas e personagens algo vazios. Contudo, foi capaz de criar outros pontos positivos, como o monstro Nemesis e o ambiente negro e muito mais violento que o primeiro.
O terceiro filme, "Resident Evil: Extinction" voltou a mudar a narrativa e a envolvência, mas desta vez de forma positiva, e temos um filme de igual qualidade ao primeiro.
Posto isto, a trilogia Resident Evil não é má de todo, não é apenas um daqueles blockbusters vazios. Tem uma história, tem personagens e tem cenas de acção parcialmente interessantes. Dentro deste ponto de vista, é capaz de entreter.
Em 2010 surgiu o enorme erro, falo de "Resident Evil: Afterlife". Sendo objectivo, posso descrever este filme como uma nulidade, que nos primeiros 50 minutos não tem absolutamente nada para nos oferecer, nenhuma cena de suspense, nenhuma evolução de personagens, nada! Pior que isto são os últimos minutos e a cena de luta final, que roça o ridículo. A realização das cenas(muito poucas) de acção até melhorou face aos dois últimos filmes, mas não salva o filme da banalidade total. Este é então um filme tipico....tipico pelo que os últimos anos do cinema nos tem trazido a nível de blockbusters. Temos aqui um filme vazio, sem interesse absolutamente nenhum, nem para os fãs de Resident Evil. É uma pena, visto que os três primeiros até têm pontos de interesse e uma história bem desenvolvida.
Ah, resta referir que a saga vai continuar. Esperemos que não nesta qualidade...
Acho que fui breve...