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sábado, 6 de novembro de 2010

The Road de Jonh Hillcoat (2009)


O próprio titulo deste filme é uma metáfora. A vida é uma estrada finita que seguimos, desconhecendo o que nos irá aparecer à nossa frente. Em "The Road", passa-se exactamente o mesmo. Os protagonistas avançam desconhecendo em absoluto o que se irá seguir. O filme procura ajudar-nos a entender o significado do nosso percurso, tendo como base o sofrimento humano a um nível bastante elevado. Questionando-nos sobre factos simples, como a importância que damos às pequenas coisas, ou factos complexos, como a verdadeira questão da vida: será o caminho que seguimos o realmente correcto?
O desespero do mundo real é tal que o pai ensina ao filho uma maneira de se suicidar, caso tudo desapareça. O mundo é negro e sem uma gota de esperança. A mensagem ambiental não é metafórica, nem se traduz pelo uso de simbolos. É aquilo que vemos e que sentimos.
Os constantes flashbacks, os actos de canibalismo e o confronto entre um possivel suicidio e viver neste mundo sombrio, são factores que nos emergem numa nuvem negra de desespero e questões morais transcendentes a tudo o resto. Não há forma de esconder que "The Road" é o exemplo claro de um verdadeiro futuro negro. Não há heróis como em Mad Max, não há amizade e esperança como em "Terminator", não há máquinas do tempo como em "12 monkeys". Há apenas o que existe, o real. Esta é das poucas vezes que um filme pós apocaliptico se aproxima tanto da vida real que conhecemos.
Até que ponto a sobrevivência vale a pena num mundo completamente destruido e sem hipotese de retorno? De que nos serve caminhar por um mundo devastado e vazio, onde só existe crueldade e nada mais poderá nascer? "The Road" explica-nos tudo isto, ou faz-nos pensar nisto.
Os flashbacks são como os nossos pensamentos passados, simbolizam o que de bom ou mau se passou connosco numa determinada altura, sempre de forma natural.
Todo este péssimismo e dramatismo resulta de forma perfeita. Quando há algo um pouco menos negativo, nós como espectadores sentimos um enorme alivio e uma grande felicidade pelos protagonistas. Embora saibamos que a crueldade é a única matriz deste mundo tão real.
Os flashbacks limitam-se a aumentar ainda mais o nosso desespero. Pois são sempre curtos, tanto nas partes felizes como tristes.
Tocante do ponto de vista relação pai-filho. Tocante do ponto de vista da humanidade e do sofrimento. Cruelmente tocante por ser uma possibilidade futura para o nosso mundo.
Além de todas estas temáticas, também o facto de as crianças procurarem relacionamentos, a felicidade, a amizade em todas as coisas, é explorada de forma bastante simples.
A realização é soberba, acompanhando o estilo sombrio do filme, com planos distantes e correctos. A fotografia envolve-nos num mundo cinzento, em que não existe um pingo de cor(esperança).
"The Road" é um dos filmes mais expantosos dos últimos anos. Kodi Smit-Mcphee tem um papel fantástico para um miúdo da sua idade.Viggo Mortensen tem aqui a sua melhor representação de sempre, interpretando um homem que nos ensina realmente algo, neste nosso mundo coberto de riqueza desmedida e pobreza infinita. Ensina-nos que a felicidade não se encontra no que podemos alcançar, mas no que realmente temos. E o que temos é a nossa familia, os nossos amigos e nós próprios.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Eastern Promises de David Cronenberg (2007)


"Eastern Promises"de David Cronenberg, é um retrato frio e pessoal da sociedade russa sediada em Londres. Através desta visão totalmente russa, conseguimos perceber a sua cultura familiar, o funcionamento da sua máfia e a forma como tentam controlar pequenos bairros, e por vezes metrópoles, em cidades importantes como o exemplo de Londres.
Apesar do filme se passar inteiramente na cidade inglesa, nunca temos essa noção cultural. O realizador preocupa-se em aproximar-nos com a cultura de leste, como se estivéssemos no seu país e não na citadina Londres. Esta abordagem é interessante e facilita-nos a entrada nos personagens principais e nos seus modos culturais.
O que foi apenas um "acidente comum" tornou-se em algo muito maior que acabou por despoletar na queda de um poderoso chefe da máfia russa. Uma jovem russa de apenas 14 anos morre no Hospital local. Antes da sua morte dá à luz uma criança, que vai ser a chave que provocará a queda de um dos grandes senhores da máfia russa. Naomi Watts é quem provoca este acontecimento, mas Viggo Mortensen é quem o faz realmente acontecer, após a sua missão de infiltração. Dizer mais é estragar a surpresa, mas destaque um ponto fulcral neste filme: O primeiro é a cena dos balneários, em que ocorre um momento de violência, filmado com a mestria de Cronenberg, demonstrando-nos cruelmente a visão violenta de uma determinada cena, fazendo-nos encolher de dor;
Fantástica é a interpretação de Viggo, demonstrando-nos que é um dos melhores actores dos últimos anos e que é capaz de desempenhar qualquer papel com imensa mestria e qualidade. Naomi Watts também puxa os cordéis e torna-se versátil, demonstrando a sua enorme capacidade de expressar sentimentos, principalmente os de sofrimento, sendo uma actriz perfeita para dramas.
Eastern Promises é de longe um dos melhores filmes dos últimos anos, tanto pela história dramática e extremamente bem contada, pelas interpretações perfeitas, como pelos truques do realizador, em conduzir planos atrás de planos de forma a que tenhamos a sensação de que estamos numa qualquer cidade russa, e não na gigante metrópole londrina.