Como já referi, era na piscina que se desenrolavam os primeiros concertos, e neste primeiro dia destacou-se o de Rudolfo, que com o seu hate beat pôs as pessoas em sentido, agressivo q.b. nas suas palavras, o público gostou do que viu, e isso reflectiu-se na banca de vendas do festival, em que muitas pessoas procuravam por merch. Após o concerto de Rudolfo, vieram os ritmos dançáveis dos Claiana, que apadrinharam a despedida de muita gente da piscina, eram horas de rumar aos outros palcos.
E os Valient Thorr foram mesmo a banda que se seguiu no palco Milhões, com Valient Himself ao comando, o carismático vocalista foi bastante comunicativo com o público como é habitual, e os riffs de guitarra explosivos reinaram durante o concerto.
Coube aos britânicos Electric Wizard fecharem os concertos do palco Milhões, e não desapontaram aqueles que lá estavam para os ver, sempre competentes, a banda soube manter o interesse quando muitos já estavam esgotados do dia preenchido, que estava ainda longe de terminar.
No dia em que os lendários The Fall se iam apresentar no Milhões, foi mais uma vez na piscina que as pessoas se prepararam para o acontecimento, o muito calor puxava a banhos e bebidas frescas, e os reis do palco da piscina foram os Feia Medronho, que tiveram a participação de Rudolfo e de um homem com um justo fato verde a dançar para ajudar à festa.
Após o concerto dos ALTO! era ver as pessoas a deslocarem-se em massa até ao palco Milhões, tinha chegado a hora dos The Fall actuarem e as expectativas estavam altas.
Mark E. Smith, mentor da banda, esteve igual a si próprio na sua atitude despreocupada em palco, mas nunca pareceu realmente que a banda estava ali, como um conjunto unido, sendo certo que Mark é o único membro original da banda, a ligação entre ele e o resto dos elementos pareceu muito desconexa, e a própria voz de Mark por vezes não se ouvia.
Dia 25
Nos palcos Vice e Milhões a noite prometia, e não podia ter começado melhor, com Riding Pânico no palco Vice, após uma paragem algo prolongada, a banda voltou a reunir-se para um concerto que já deu para encher as medidas. Na bateria esteve Joaquim Albergaria a substituir o baterista BB e mais para o fim do concerto Hélio Morais e Paulo Segadães tiveram também uma participação no concerto.
Os Extraperlo foram talvez uma das bandas com menos público presente no concerto, com o elevado calor, as pessoas procuraram as sombras para ficarem e refrescarem um pouco, ainda assim o público presente em frente ao palco dançou, e protagonizou um comboio que deu a volta a parte do recinto na tentativa, algo vã, de juntar mais algumas pessoas na plateia.
Enquanto os Extraperlo davam o seu concerto, era já possível ouvir, vindo do outro palco, os berros do vocalista de The Ghost Of A Thousand no soundcheck, era pois os preparativos para o que vinha aí, sempre a puxarem pelo público, a banda fez questão de despejar decibeis com o seu rock/hardcore, e o próprio vocalista fez questão de se chegar mais perto do público, que o carregou nos braços pela área à frente do palco.
Este foi apenas um dos bons concertos que aconteceram no palco Vice neste dia, e que curiosamente (ou não), juntou por vezes mais pessoas que o palco Milhões. Bo Ningen foram os senhores que se seguiram neste palco, a banda japonesa, com todo estilo associado, espalharam o seu experimentalismo psicadélico e arrancaram um concerto de encher o olho.
Por esta altura, esperava-se já com alguma ansiedade o concerto de Monotonix, e se dúvidas houvesse, assim que se viu o material montado no meio do público, tava dada a receita para a verdadeira loucura, desde o primeiro segundo do concerto, até ao último, o público foi incansável no mosh, nos saltos, no crowd surfing, no headbang, e por aí fora, o exemplo era dado pela vocalista da banda, verdadeiro homem de festa e risco, que fez questão de puxar de uma série de acrobacias, é dificil explicar o que aconteceu naquele espaço de tempo, tudo o que aconteceu, o como se viveu, é quase surreal, a banda deslocava-se com os instrumentos entre o público, Ami Shalev, vocalista da banda, tocou bombo sentado num banco segurado unicamente pelo público e mais para o fim do concerto, já após a banda ter carregado os instrumentos por uma colina lateral ao palco, veio um dos momentos grandes do concerto, quando Ami desceu mais ou menos até meio da encosta e perguntou ao público se dali era uma altura segura para saltar, o público apoiou, concentrou-se à frente, e apanhou e carregou um destemido Ami de volta ao sítio onde a banda tinha começado a tocar inicialmente. Talvez os Monotonix sejam um sinónimo de rock, ou talvez sejam apenas loucos, num bom sentido, a verdade é que ninguém pode exigir mais de uma banda que deixa tudo, mas tudo 'em palco'.
Resumindo estes três dias de festival, e repetindo-me, muita festa, muito bom ambiente, muito bom sitio, muito boa organização e que para o ano haja mais.